17 março, 2010

Educação compulsória e totalitarismo

Educação compulsória e totalitarismo

Sergio de Biasi
“Os homens nascem ignorantes, não incapazes de pensar. O que os torna incapazes de pensar é a educação”. — Bertrand Russell
Pedro Sette Câmara escreveu recentemente um texto sobre o fetiche com educação que existe no Brasil. Eu concordo plenamente com o que ele escreveu, e diria que esse na verdade é um mal disseminado pela maior parte das sociedades ocidentais modernas. Aceita-se como natural, boa e até desejável a obrigatoriedade — repito, a obrigatoriedade, coercitivamente imposta por lei — de todos os “cidadãos” de um país passarem grande parte de dez anos ou mais de suas vidas prestando expediente forçado para ouvir ideias selecionadas pelo governo como convenientes para sua “formação”.
E não é suficiente (embora já seja opressivo) ser forçado a demonstrar proficiência no conhecimento de tais ideias, o que se poderia facilmente aferir com uma série de exames, para os quais cada um estudaria como quisesse, onde quisesse, e com quem quisesse. E prestaria os exames com a idade que quisesse. Não, não, não. Quem se pergunta por que tal solução óbvia não é adotada não compreendeu o verdadeiro objetivo do sistema todo. É preciso passar pelo processo. O objetivo primordial da educação compulsória não é ensinar coisa alguma. É destruir a independência de pensamento; é cultivar, instilar e estimular a subserviência à autoridade até ela desabrochar em toda a sua glória; é tornar tão doloroso o exercício do senso crítico que se adquire por trauma o instinto quase fóbico de evitá-lo a todo custo. Quando finalmente esses objetivos são atingidos, então se dá um diploma ao sujeito e se diz “formamos um cidadão”.
O sistema educacional público americano moderno é uma completa aberração e tomou emprestadas várias de suas características de um plano declarado de doutrinação e controle social em massa concebido originalmente na Prússia do século 19. O excelente The War On Kids documenta como existe hoje, formalmente e na prática, menos respeito às liberdades civis numa escola pública do que numa prisão.
O sistema brasileiro pode não ser tão opressivo, mas é igualmente distorcido. É usado para tudo, menos para ensinar; é encarado como instrumento de assistência social, como creche, até mesmo como ferramenta de segurança pública, ao manter menores desocupados fora das ruas. Historicamente, no Brasil e em grande parte das democracias ocidentais (inclusive nos EUA), um dos maiores objetivos que se pretende declaradamente atingir ao se expandir o currículo obrigatório básico é... retirar artificialmente mão de obra qualificada do mercado de trabalho, visando diminuir o desemprego e aumentar os salários. Note-se, isso não são teorias conspiratórias. Todos esses são motivos explicitamente discutidos por legisladores e membros do poder executivo ao determinarem política educacional.
Isso já seria inaceitável em um sistema de educação que visasse preservar tão somente o “direito” à educação, entendido como a possibilidade de acesso à educação. Já seria intolerável em um programa cujo financiamento é compulsoriamente sustentado por todos nós, e sobre o qual não temos qualquer controle. Mas o limite final é ultrapassado quando se aceita fazer esse “direito” à educação ser “exercido” de forma compulsória. Isso é totalitarismo puro e simples, e me parece que deve ser uma das prioridades de qualquer programa seriamente libertário lutar pela total reversão das políticas públicas que prevêem, literalmente, o encarceramento de toda a nossa juventude por mais de 10 anos de suas vidas.
Agora, vejamos, de que ilusões se alimenta esse sistema, que muitos defendem alegando que algum mérito efetivamente educacional se possa salvar?
A principal ilusão é a de que alguém está aprendendo alguma coisa. Mas, como se pode verificar conversando com qualquer adulto normal, absolutamente ninguém retém os profundos “conhecimentos” supostamente infundidos em seus cérebros quando adolescentes. Pergunte a alguém que não seguiu carreira relacionada com química qual é a diferença entre um éter e um éster. Pergunte a alguém que não seguiu carreira relacionada com línguas em que século viveu Machado de Assis. Aliás, experimente tentar fazer alguém escolhido no meio da rua confessar em que circunstâncias ocorre crase em português. Com enorme probabilidade, a vítima não conseguirá fazê-lo nem para salvar a própria vida. O sistema educacional é uma falha absoluta. Mas é muito mais grave do que uma monumental perda de tempo para todos os envolvidos, como se isso já não fosse suficientemente sério. É uma violação mental e moral, e deliberada. Educação compulsória não tem absolutamente nada a ver com ensinar coisa alguma.
Mais um objetivo pretensamente atingido com educação compulsória é “elevar o nível cultural” do cidadão médio. Na concepção dos burocratas responsáveis, isso se traduz na insana proposta de torná-lo enciclopedicamente competente em assuntos que vão das dinastias do Egito antigo até determinantes de matrizes, mesmo que seu eventual objetivo na vida seja ser caixa de supermercado. Mesmo quando se torna clara a falha do objetivo de produzir pessoas efetivamente cultas, alguns ainda insistem na idéia de que pelo menos se conseguirá despertar algum tipo de apreciação pela cultura. Essa ideia, no entanto, é fadada a um retumbante fracasso; e ainda bem, aliás, porque a caricatura padronizada (e muitas vezes factualmente errada) forçada goela abaixo dos “alunos” é tudo o que “cultura” não é. O que de fato se produz é confusão, na maior parte dos casos seguida de absoluto desprezo pela verdadeira sofisticação cultural. Esta passa a ser quase universalmente percebida, como resultado desse processo, como mera competência na repetição de fórmulas sem sentido completamente desconectadas da realidade, que é o que geralmente se exige e premia nos alunos de uma escola e, infelizmente, muitas vezes de níveis mais altos de educação. Mesmo quando os assuntos abordados incidentalmente coincidem com as inclinações naturais de algum aluno, eles são explorados de forma arbitrária, caótica e fragmentada, sem qualquer liberdade para exploração independente, e sob um regime de força que destruiria o mais espontâneo dos interesses.
Outro objetivo pretensamente atingido é o de produzir magicamente uma elite intelectual sob demanda. Só que educação não é mágica. Nem todos têm vocação ou competência para serem elite intelectual. E embora possa haver mérito em procurar não desperdiçar a competência daqueles que de fato a têm, não é possível produzi-la artificialmente. Se perguntarmos a um atleta olímpico como ele conseguiu uma medalha de ouro, ele provavelmente responderá que treinou arduamente por horas todos os dias durante muitos anos. Não segue daí que se forçarmos todos a treinarem arduamente por anos transformaremos todos em atletas olímpicos. Talvez até revelemos acidentalmente alguns mais (ao enorme custo de produzir uma massa de pessoas perturbadas porque não conseguem correr 100 metros em 10 segundos). Mas é impossível produzir cientistas em massa usando educação forçada. Até hoje, o Brasil, uma das maiores potências econômicas do planeta, não consegue ter sequer uma de suas universidades na lista das melhores 200 do mundo — duzentas. Com toda a sua pompa e circunstância, do ponto de vista acadêmico o Brasil permanece essencialmente insignificante. Que perca para a França ou a Suíça, vá lá. Mas países como a Índia, a China, e a Coréia do Sul conseguiram produzir o que nós não conseguimos: têm universidades entre as primeiras 50.
A criação de uma elite intelectual se relaciona com outro suposto e fracassado objetivo da educação compulsória: catapultar o país para indústrias e mercados de alta tecnologia. Ao invés disso, o que produzimos no final de um longo processo são doutores fazendo concurso para gari.
Para ler o restante do artigo, clique aqui.
Fonte: OrdemLivre
Divulgação: www.juliosevero.com

09 março, 2010

Deixem Jonatan e Davi estudar em paz

Deixem Jonatan e Davi estudar em paz

Alexandre Barros
Todos os dias algum órgão de imprensa brasileiro critica a educação no Brasil. Mazelas vão da falta de professores ou condições físicas, ao despreparo dos professores, passando por currículos antiquados produzidos por educocratas governamentais.
Lucy Vereza, que foi secretária de Educação do Rio de Janeiro, entrevistada, disse ser impossível atrair a atenção de crianças que viam os melhores programas e desenhos animados na TV, produzidos por empresas riquíssimas e diretores milionariamente pagos, mandando-as para escolas sem graça em que professoras mal pagas e pior treinadas ensinavam coisas do tipo “Ivo vê a uva.”
Kleber e Bernadete, pais de Jonatan e Davi, residentes em Timóteo, Minas Gerais, resolverem agarrar o touro pelos chifres.
Se pouco ou nada podiam fazer para melhorar a escola que o estado (ou seus licenciados) ofereciam, criaram uma escola para seus filhos em casa.
Não são pais que resolverem abandonar e educação de seus filhos ou deixá-la “para lá.” São apenas pais conscientes que resolveram educar seus filhos em casa por uma simples razão: acreditam que são capazes de cumprir essa tarefa melhor do que o estado (coisa que mais de um milhão de famílias americanas fazem legalmente nos Estados Unidos).
Mas, no Brasil isso é proibido. Apesar de Jonatan e Davi terem sido aprovados nos exames que avaliam alunos comuns, que estudam no sistema educacional regular, seus pais cometeram um crime e por isso foram condenados.
O aterrador é o poder do Estado todo poderoso e dos “fazedores do bem,” autores do Estatuto da Criança e do Adolescente. Obrigam todos os pais do Brasil a matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino (art. 55), por pior que ela seja.
A multa é irrisória (R$ 78,00), mas o princípio é fundamental. Puniram a família por exercer o direito inalienável de educar seus filhos como e onde quisessem.
Entrevistados na TV, pai e filhos parecem perfeitamente normais. Mas o governo não quer saber disso. Provavelmente vítimas de um educocrata fanático ou invejoso, acabaram nas malhas da lei.
Hoje o Massachussets Institute of Technolgy e muitas outras universidades disponibilizam o conteúdo de seus cursos gratuitamente na Internet. Neste sistema, frequentar o MIT pode ter uma função socializatória, possibilitar o desenvolvimento de laços de amizade que ajudem a conseguir bons empregos e dar aos alunos uma credencial formal, um diploma. Em matéria de sabedoria, entretanto, ninguém que frequentou uma destas universidades sabe, necessariamente, mais do que alguém que estudou em casa seguindo seu currículo.
Educocratas trabalham para a manutenção de um sistema de educação fraco em que o estado pouco faz (e faz mal) e um monte de “empresários” licenciados ensinam com o olho no retrovisor (e ganham muito dinheiro com isso).
Eles são onipotentes para produzir punir pais como os de Jonatan e Davi.
A opção da família é diferente, excêntrica, sem dúvida, mas isso não quer dizer que seja má.
John Stuart Mill, em seu On Liberty, faz uma bela defesa da excentricidade. Ele chama a atenção para o fato de que o progresso, as invenções e o desenvolvimento são produto direto da excentricidade.
Se não houvesse excêntricos que resolvessem colocar um motor numa carruagem ou domar a eletricidade e descobrir como utilizá-la para o nosso bem, continuaríamos andando a pé e iluminando nossas casas com candeeiros. Não existiriam arranha céus, porque sem eletricidade, não haveria elevadores.
Por isso morro de medo de incompetentes bem intencionados, sobretudo quando em grandes grupos, ainda mais quando são funcionários governo, porque eles têm a capacidade de punir-nos por exercermos nossa liberdade.
Deixem Jonatan e Davi estudar em paz. Eles certamente estão melhores do que estariam numa escola.
Fonte: OrdemLivre

04 março, 2010

Cuidado com as conclusões precipitadas

Cuidado com as conclusões precipitadas

Bruno Pontes
Olavo de Carvalho diz que o Guinness Book poderia criar uma categoria que consagre um recorde próprio da nossa cultura: a lentidão do brasileiro em tirar conclusões. Segundo o filósofo, o japonês tira uma conclusão em dois segundos. O chinês, em três segundos. O americano leva cinco segundos. Já o brasileiro tira uma conclusão após 10 anos, oito meses, seis semanas, dois dias e algumas horas.
Piada ou descrição da realidade? Veja o caso da educação. Em outubro do ano passado, o Senado aprovou a Proposta de Emenda à Constituição 96A/03, aumentando o orçamento do Ministério da Educação e tornando obrigatório o ensino para crianças a partir dos quatro anos de idade. Atualmente o MEC exige a guarda intelectual dos brasileirinhos aos seis anos.
É uma política comum a todos os regimes socialistas tirar as crianças de casa para imbuí-las da ideologia estatal o mais cedo possível. Quando um burocrata de fato ou de vocação prega que a função da escola é incutir “cidadania” nos alunos, ele está defendendo a doutrinação de crianças com a linda justificativa de construir o outro mundo possível. Se o custo da operação for a idiotização de gerações inteiras, que seja.
O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães defendia que “a concepção da idéia do Estado deve ser ensinada nas escolas desde o início”. É a mesma recomendação que se ouve nos corredores dos ministérios, nas faculdades de pedagogia, nos discursos dos sindicalistas, nos cadernos culturais. Ao mesmo tempo, projetos de lei liberando o ensino caseiro no Brasil são derrubados sem muita conversa, pois delegar aos pais a instrução dos filhos é um perigo à segurança nacional. O que será do nosso país se as crianças deixarem de aprender a usar camisinha e gel lubrificante, a enxergar luta de classes em tudo, a ter consciência crítica e votar na esquerda? E se os brasileiros passarem a confiar mais na própria cabeça do que na cartilha do governo? Que o MEC nos livre de tamanho mal.
Saíram recentemente novos índices mostrando que o Brasil segue produzindo os estudantes mais burros do mundo. As coisas continuam nos seus lugares: quanto mais cedo o brasileirinho entra no colégio, quanto mais debates os pedagogos promovem, quanto mais cursos de capacitação são sugeridos, quanto mais planos de cargos e carreiras são reivindicados, quanto mais o Estado se mete na educação do povo, mais estúpido o povo fica. O leitor obtuso poderá imaginar uma relação de causa e efeito. Recomendo cautela a esse leitor. É muito cedo para tirar conclusões.
Divulgação: www.juliosevero.com
Golpe nos direitos dos pais

10 fevereiro, 2010

PEC da educação em casa na Câmara dos Deputados

PEC da educação em casa na Câmara dos Deputados

Se aprovada, Brasil poderá ter educação estatal em casa?

Julio Severo
A Câmara dos Deputados em Brasília examinará a Proposta de Emenda à Constituição 444/09, do deputado Wilson Picler (PDT-PR), que autoriza explicitamente a prática da educação domiciliar para o aluno entre 4 e 17 anos de idade. Se aprovada em todos os níveis e comissões, os mesmos controles, supervisão e burocracia da educação pública serão impostos na nova modalidade de ensino.
Bem ao estilo de regimes comunistas, o governo Lula rapidamente aprovou no final do ano passado sua própria PEC, que abaixa a idade de obrigatoriedade escolar para 4 anos, isto é, a Constituição brasileira foi modificada por Lula para obrigar os pais a entregar seus filhos de 4 anos à escola. Não houve nenhuma oposição e obstáculo para a aprovação da PEC educacional de Lula.
Entretanto, a PEC de educação em casa enfrenta grandes desafios e perigos. As comissões que a examinarão são dominadas por socialistas prontos para aprovar todo tipo de ditadura educacional e igualmente prontos para barrar projetos de liberdade educacional. Se não puderem barrar, conseguem transformar liberdade em ditadura.
Diferente das Constituições brasileiras do passado, que permitiam a educação escolar em casa, a Constituição atual, elaborada por muitos socialistas, tem sido interpretada pelos tribunais e pelo Ministério da Educação como dando ao Estado o supremo poder de obrigar os pais a mandar os filhos à escola — local considerado ideal, pelo MEC e pelos estatistas, para o aprendizado e a socialização da criança e do adolescente.
Segundo pesquisas, o tipo de aprendizado e socialização que predomina nas escolas públicas brasileiras é educação marxista, drogas, violência e sexo.
Alguns pais tentam proteger os filhos desse “aprendizado e socialização estatal”, optando pelo ensino domiciliar, mas eles são perseguidos pelos conselhos tutelares e outros órgãos governamentais, sendo acusados pelo crime de abandono intelectual, que prevê prisão e multa.
De acordo com o deputado Wilson Picler, é necessário que o Estado “regulamente o direito à educação domiciliar, de tal forma que os pais ou responsáveis possam obter da autoridade competente a autorização para educar seus filhos em casa e que as crianças e jovens sejam regularmente avaliados pela rede oficial de ensino”.
Se a PEC de educação em casa for aprovada com os mesmos controles que há hoje na educação pública, o resultado será:
Deficiência educacional. Por força de burocracias burras, o sistema escolar público do Brasil está produzindo estudantes burros. O que acontecerá se a mesma burocracia for imposta na educação em casa?
A descaracterização da educação em casa. Uma educação em casa rigidamente controlada por autoridades educacionais estatais fortemente engajadas na ideologia marxista atenderá aos interesses do governo, garantindo sua liberdade de ação dentro das famílias, mas tirará a liberdade dos pais, e a liberdade é o elemento essencial da democracia.
Seja como for, diferente da PEC educacional de Lula que foi aprovada com muita facilidade, a PEC de educação em casa será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, cujos membros são na maioria socialistas. Se for aprovada, poderá sofrer modificações a fim de atender aos gostos do governo.
Picler é do PDT, partido socialista fundado pelo vice-presidente da Internacional Socialista Leonel Brizola, o homem que criou os infames CIEPS de educação estatal no Rio de Janeiro. Os vastos danos que a ideologia de Brizola provocou no Rio foram tão grandes que até hoje o Rio não conseguiu se recuperar.
A PEC de Picler está recebendo apoio de Cleber Nunes e Cláudio Oliver, pastor que ficou conhecido em Curitiba por seu engajamento e militância pró-Lula.
Para ler mais sobre a emenda, clique aqui.
Com informações da Agência Câmara
Para saber mais sobre educação escolar em casa, clique aqui.

08 fevereiro, 2010

Caindo sem parar

Caindo sem parar

Olavo de Carvalho
Em editorial do dia 25 último, a Folha de S. Paulo faz as mais prodigiosas acrobacias estatísticas para induzir o leitor a acreditar que a queda do Brasil do 76º para 88º lugar em educação básica, na escala da Unesco, representa um progresso formidável. Não vou nem entrar na discussão. Entre a Unesco, o Ministério da Educação e o jornal do sr. Frias, não sei em quem confio menos. Mas confio nos testes internacionais em que os nossos alunos do curso médio tiram invariavelmente os últimos lugares entre concorrentes de três dezenas de países. Numa dessas ocasiões o então ministro da Educação buscou até consolar-se mediante a alegação sublime de que “poderia ter sido pior”. Claro: se ele próprio fizesse o teste, a banca teria de criar ad hoc um lugar abaixo do último. Seríamos hors concours no sentido descendente do termo.
Confio também na proporção matemática entre o número de profissionais da ciência em cada país e o de seus trabalhos científicos citados em outros trabalhos, tal como aparece no banco de dados da Scimago. Aí vê-se que, em número de citações — medida da sua importância para a ciência mundial —, os cientistas brasileiros vêm caindo de posto com a mesma velocidade com que, forçada pelo CNPq e pela Capes, aumenta de ano para ano a sua produção de trabalhos escritos. Ou seja: quanto mais escrevem, menos utilidade o que escrevem tem para o progresso da ciência.
Em medicina, passamos do 24º lugar, em 1997, para o 36º em 2008. Em bioquímica e genética, no mesmo período, do 19º para o 36º. Em biologia e agricultura, do 18º  para o 32º. Em física e astronomia, do 18º para o 29º. Em matemática, do 13º para o 28º. Não houve um só setor em que nossos cientistas não escrevessem cada vez mais coisas com cada vez menos conteúdo aproveitável para os outros cientistas. Em doses crescentes, o que se entende por ciência no Brasil vai se tornando puro fingimento burocrático, pago com dinheiro público.
Para o professor Hermes, a coisa começou em 2003, mas piorou muito entre 2005 e 2008. Mas de 1999 a 2009 “houve aumento de 133% no número de artigos científicos publicados em revistas especializadas. O investimento do Ministério da Ciência e Tecnologia neste setor duplicou de 2000 a 2007. O investimento privado também aumentou nesse período”. Obviamente, não está faltando dinheiro.
É o CNPq, a Capes e o governo em geral admitirem que há uma diferença substantiva entre fazer ciência e mostrar serviço para impressionar o eleitorado.
Se essa diferença parece obscura ou inexistente para os atuais senhores das verbas científicas no Brasil (e para a mídia que os bajula), fenômeno similar ocorre na educação primária e média, onde o governo dá cada vez menos educação a um número cada vez maior de alunos, democratizando a ignorância como jamais se viu neste mundo.
Coisa parecida também não acontece no ramo editorial, onde a produção crescente de livros para o público de nível universitário acompanha pari passu o decréscimo de QI dos autores que os escrevem? Confio, quanto a esse ponto, na minha memória de leitor.
Entre as décadas de 50 e 70 ainda tínhamos, vivos e em plena efusão criativa, alguns dos mais notáveis escritores e pensadores do mundo: Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Jorge de Lima, Cecília Meirelles, José Geraldo Vieira, Graciliano Ramos, Herberto Sales, Josué Montello, Antonio Olinto, João Guimarães Rosa, Jorge Andrade, Nélson Rodrigues, Vicente Ferreira da Silva, Mário Ferreira dos Santos, Miguel Reale, José Honório Rodrigues, Gilberto Freyre, José Guilherme Merquior — além dos importados Otto Maria Carpeaux, Vilém Flusser, Anatol Rosenfeld e tutti quanti. Que me perdoem as omissões, muitas e volumosas.
O Brasil era um país luminoso, capaz, consciente de si, empenhado em compreender-se e compreender o mundo. Agora temos o quê? Fora os sobreviventes nonagenários e centenários, dos quais não se pode exigir que repitam as glórias do passado, é tudo uma miséria só, a obscuridade turva do pensamento, a paralisia covarde da imaginação e a impotência da linguagem.
“Cultura”, hoje, é rap, funk e camisinhas; “educação” é treinar as crianças para shows de drag queens ou para a invasão de fazendas; “pensamento” é xingar os EUA no Fórum Social Mundial, e “debate nacional” é a mídia competindo com a máquina estatal de propaganda, para ver quem pinta a imagem mais linda do sr. presidente da República. Nesse ambiente, em que poderia consistir a “ciência” senão em imprimir cada vez mais irrelevâncias subsidiadas?
Será possível que todas essas quedas, paralelas no tempo e iguais em velocidade, tenham sido fenômenos autônomos, separados, casuais, sem conexão uns com os outros? Ou compõem solidariamente, como efeitos de um mesmo processo causal geral, o quadro unitário da autodestruição da inteligência nacional?
E será mera coincidência que toda essa corrupção mental sem paralelo no mundo tenha sobrevindo ao Brasil justamente nas décadas em que a intromissão do governo na educação e na cultura cresceu até ao ponto de poder, hoje, assumir abertamente suas intenções dirigistas e controladoras sem que isso cause escândalo e revolta proporcionais ao tamanho do mal?
A resposta às duas perguntas é não, obviamente não. A História não se compõe de curiosas coincidências. A débâcle da vida intelectual no Brasil é um processo geral, unitário, coerente e contínuo há várias décadas, e o fator que unifica as suas manifestações nos diversos campos chama-se intromissão estatal, governo invasivo, controle oficial e transformação da cultura e da educação em instrumentos de propaganda, manipulação e corrupção.
A cultura, a arte, a educação e a ciência no Brasil só se levantarão do presente estado de abjeção quando a máquina governamental que as domina for destruída, quando toda presunção de autoridade dos políticos nessas áreas for abertamente condenada como um tipo de estelionato.
A Segunda Conferência Nacional de Cultura e o Plano Nacional de Direitos Humanos não passam de conspirações criminosas destinadas a agravar esses males, que já deveriam ter sido extirpados há muito tempo.
Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia
Divulgação: www.juliosevero.com

01 fevereiro, 2010

Juiz dos EUA concede asilo político para família alemã que educa os filhos em casa

Juiz dos EUA concede asilo político para família alemã que educa os filhos em casa

PURCELLVILLE, VA., EUA, 27 de janeiro de 2010 (Notícias Pró-Família) — Na terça-feira, num pioneiro caso legal de educação escolar em casa, um juiz federal de imigração em Memphis, Tennessee, concedeu asilo político para a família Romeike, que fugiu da Alemanha em 2008 para escapar da perseguição do governo alemão pelo “crime” de educar os filhos em casa.
O juiz Burman disse em sua decisão: “Os direitos que foram violados aqui são direitos humanos fundamentais que nenhum país tem o direito de violar”.
O juiz Burman também expressou preocupação com o fato de que embora a Alemanha seja um país democrático e um aliado, sua política de perseguir as famílias que educam em casa é “repulsiva a tudo o que cremos como americanos”.
A perseguição às famílias que educam em casa na Alemanha vem se intensificando há vários anos. Tais famílias são regularmente multadas em milhares de dólares, ameaçadas de prisão ou perdem a custódia de seus filhos simplesmente porque escolhem educá-los em casa.
“Essa decisão é uma grande vergonha para a Alemanha”, disse Mike Donnelly, jurista e diretor de relações internacionais da ADLEEC. “Esperamos que essa decisão faça com que a Alemanha pare de perseguir as famílias que educam os filhos em casa”.
Uwe Romeike, professor de música, sua esposa Hannelore e seus cinco filhos fugiram das autoridades alemãs em agosto de 2008 e estão agora vivendo no leste do Tennessee. Essa decisão abre as portas para muitas outras famílias que educam em casa escaparem da Alemanha.
“Somos muito gratos ao juiz por sua decisão”, disse Uwe Romeike. “Conhecemos muitas pessoas, principalmente outras famílias alemãs que educam em casa, que estão orando por nós. Suas orações e as nossas foram respondidas.
“Muito apreciamos a liberdade de educar em casa que agora temos nos Estados Unidos e estamos dispostos a construir nossa nova vida aqui”, ele acrescentou.
Veja a cobertura relacionada de LifeSiteNews.com:
German Homeschooling Family Applies for Asylum in US
Germany Jails Eight Christian Fathers for Removing Children from Sex-Ed Class
The Saga Continues: Previously Tolerant German State Declares War on Home-schooling
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2010/jan/10012701.html
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27 janeiro, 2010

Governo sueco toma criança de família que educa em casa

Governo sueco toma criança de família que educa em casa

GOTLAND, Suécia, 23 de dezembro de 2009 (Notícias Pró-Família) — Uma família cristã que educa em casa poderá permanentemente perder a guarda de seu único filho simplesmente porque educam em casa. Advogados do Fundo de Defesa Aliança (FDA) e da Associação Legal de Defesa da Educação Escolar em Casa (ALDEEC) estão juntando forças como consultores legais da família a fim de persuadir o governo sueco a devolver o menino de sete anos para seus pais.
“Os pais têm o direito e a autoridade de fazer decisões com relação à educação de seus filhos sem interferência governamental”, disse Roger Kiska, assessor jurídico do FDA, com sede na Europa. “Trata-se de um governo socialista tentando criar uma criança conforme um molde de produção de massa, conforme a imagem do Estado. Sem ajuda, os pais nesses casos ficam realmente impotentes, pois o sistema pende apenas para um lado”.
As autoridades suecas tiraram a força Dominic Johansson de seus pais, Christer e Annie Johansson, em junho do ano passado. O menino foi tomado de um avião em que seus pais haviam embarcado para mudar para o país natal de Annie, a Índia. As autoridades não tinham nenhum mandado nem haviam acusado os Johanssons de algum crime. As autoridades tomaram o menino porque crêem que a educação escolar em casa é um jeito impróprio de criar uma criança e insistem em que em vez disso o governo tem de criar Dominic.
“É um dos mais vergonhosos abusos de poder que já testemunhamos”, disse Mike Donnelly, advogado da ALDEEC. “O governo sueco diz que está exercendo sua autoridade sob a Convenção da ONU dos Direitos da Criança em seu desmantelamento desnecessário dessa família. Além disso, o Parlamento sueco está considerando uma proibição básica da educação escolar em casa. Estamos sabendo de outras famílias educadoras em casa na Suécia que estão tendo mais dificuldades com as autoridades locais. Tememos que todas as famílias que educam em casa nesse país estejam em risco”.
Os serviços sociais suecos inicialmente limitaram visitas ao menino para duas horas por semana, mas agora reduziram para uma hora a cada quinta semana, e nenhuma visita no Natal, pois os assistentes sociais estarão de férias.
Em 17 de dezembro, um tribunal sueco decidiu em Johansson versus Serviços Sociais de Gotland que o governo estava dentro de seu direito de tomar o menino. Eles citaram o fato de que Dominic não era vacinado como motivo para tomá-lo permanentemente de seus pais e também afirmaram que as crianças educadas em casa não têm bom desempenho acadêmico e não são bem sociabilizadas. A tribulação deixou o menino e seus pais traumatizados.
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/dec/09122304.html
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24 janeiro, 2010

Crianças novas que recebem disciplina física se tornam adolescentes mais felizes e bem sucedidos

Crianças novas que recebem disciplina física se tornam adolescentes mais felizes e bem sucedidos

Thaddeus M. Baklinski
GRAND RAPIDS, Michigan, EUA, 5 de janeiro de 2010 (Notícias Pró-Família) — Um estudo realizado nos EUA indica que uma surra não é prejudicial para as crianças e, aliás, declara que crianças que foram fisicamente disciplinadas quando eram novas, entre as idades de 2 e 6, se tornaram adolescentes mais felizes e bem sucedidos e tiveram um melhor desempenho na escola, e tiveram mais probabilidade de fazer trabalho voluntário e querer ir para a universidade do que aqueles que nunca foram surrados.
O estudo, conduzido sob o patrocínio do Estudo dos Perfis da Vida Americana (EPVA) {http://pals.nd.edu/} e feito pela Dra. Marjorie Gunnoe, professora de psicologia na Faculdade Calvin em Grand Rapids, Michigan, revelou que há falta de evidências provando que uma surra prejudica as crianças, e que o uso sensato da surra como conseqüência normal para a má conduta é benéfico para as crianças.
“Não há base para as alegações que se fazem contra a surra disciplinar. Elas não estão em coerência com os dados”, disse Gunnoe.
“Penso na surra como um instrumento perigoso, mas há ocasiões em que há uma tarefa grande o bastante para um instrumento perigoso — não podemos simplesmente usá-lo para todas as nossas tarefas”, acrescentou ela.
A professora Gunnoe entrevistou 2.600 adolescentes, fazendo-lhes perguntas sobre surras. Ela constatou que quando as respostas dos participantes foram comparadas com sua conduta, tais como sucesso acadêmico, otimismo sobre o futuro, conduta anti-social, violência, ataques de depressão, aqueles que haviam sido fisicamente disciplinados só entre as idades de dois e seis tiveram o melhor desempenho em todas as medidas positivas.
Aqueles que haviam sido surrados entre sete e onze exibiam conduta mais negativa, mas ainda assim tinham mais probabilidade de obter sucesso acadêmico.
Em casos em que a disciplina física continuou além da idade de 12, ou naqueles que nunca haviam recebido castigo físico, os filhos tiveram um desempenho mais fraco nos indicadores que foram levados em consideração. A Dra. Gunnoe constatou que quase um quarto dos adolescentes no estudo relatou que jamais foram surrados.
O Conselho Americano de Pediatria (CAP) declara que uma surra disciplinar aplicada pelos pais pode ser eficaz quando utilizada de forma apropriada. “É claro que os pais não deveriam se apoiar exclusivamente na surra disciplinar para controlar a conduta de seus filhos”, diz a declaração de posição da organização. “As evidências indicam que pode ser uma parte útil e necessária de um plano bem sucedido de disciplina”.
De acordo com o CAP, a disciplina eficaz tem três componentes: um relacionamento de amor e apoio entre pais e filhos; uso de incentivos quando as crianças têm bom comportamento; e, uso de castigo quando as crianças se comportam mal.
Muitos pais que temem usar uma surra como castigo afirmam que a surra ensina conduta fisicamente agressiva que a criança imitará.
Aric Sigman, psicólogo e autor do livro “The Spoilt Generation: Why Restoring Authority will Make our Children and Society Happier” (A Geração Estragada: Por que restaurar a autoridade tornará nossos filhos e a sociedade mais felizes), comentou os resultados da pesquisa da professora Gunnoe.
“A ideia de que dar palmadas e violência estão na mesma categoria é uma maneira bizarra e doentia de ver aquilo que é castigo para a maioria dos pais”, ele disse ao jornal Daily Mail da Inglaterra.
“Se um pai que normalmente é afetivo e sensível à criança aplica de forma sensata a disciplina, a sociedade não tem por que se queixar e se enfurecer. Os pais precisam somente aprender a distinguir a disciplina de um murro na cara”.
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Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2010/jan/10010507.html
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02 janeiro, 2010

Adultos canadenses educados em casa se saem excepcionalmente bem

Adultos canadenses educados em casa se saem excepcionalmente bem

Patrick B. Craine
LONDRES, Ontário, Canadá, 3 de dezembro de 2009 (Notícias Pró-Família) — Um novo estudo divulgado ontem pelo Centro Canadense de Educação em Casa (CCEC) revela que adultos educados em casa no Canadá se saem excepcionalmente bem em todas as áreas medidas da vida adulta, inclusive nível educacional, fidelidade religiosa, participação cívica e comunitária, satisfação da vida e renda.
O estudo, intitulado Quinze Anos Depois: Adultos Canadenses Educados Em Casa, entrevistou adultos cujos pais haviam respondido a um estudo de 1994 sobre educação em casa. No total, os pesquisadores coletaram 226 questionários. Variando da idade de 15 a 34 anos, os entrevistados responderam a perguntas sobre uma variedade de assuntos pelos quais o órgão de estatísticas canadense tem dados comparáveis de uma população mais ampla.
Os resultados foram surpreendentes, diz o CCEC.
O estudo revelou que, quando avaliados em comparação com os canadenses comuns, os adultos educados em casa têm mais envolvimento social e têm quase o dobro de probabilidade de votar em eleições federais. Sua renda média é mais elevada, com fontes de renda mais auto-suficientes, tais como investimentos e trabalho autônomo. Aliás, de todos os entrevistados, não havia casos de pessoas dependendo da assistência do governo como a principal fonte de renda.
Os entrevistados estão mais felizes em seu trabalho e acerca de suas vidas em geral. Eles também têm atividades recreativas mais variadas. O estudo observa, por exemplo, que os entrevistados “têm muito mais probabilidade do que a população comparável de ter lido livros e assistido a concertos de música clássica ou apresentações teatrais”. Em geral, ao refletir no valor de ser educado em casa, a maioria sentiu que era uma vantagem em sua vida adulta.
“Em termos de renda, educação, empreendimentos empresariais, envolvimento em sua comunidade e todas as outras características avaliadas, os adultos educados em casa não só se saem excepcionalmente bem, mas também fazem contribuições importantes para suas comunidades, declarou Paul Faris, presidente do CCEC. “Eles são o tipo de vizinhos que todos queremos”.
O estudo completo e um resumo estão disponíveis aqui.
Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/dec/09120305.html
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22 dezembro, 2009

Alemanha prende oito pais evangélicos por tirarem filhos pequenos de aula de educação sexual

Alemanha prende oito pais evangélicos por tirarem filhos pequenos de aula de educação sexual

Peter J. Smith
VESTFÁLIA, Alemanha, 11 dezembro de 2009 (Notícias Pró-Família) — Pelo menos oito famílias teuto-russas de Salzkotten, Alemanha, sofreram multas pesadas e agora seus pais foram sentenciados à prisão, porque recusaram enviar seus filhos do ensino primário a aulas obrigatórias de educação sexual.
O Grupo Internacional de Direitos Humanos (GIDH), uma organização cristã de defesa legal que defende a liberdade religiosa e o direito de os pais educarem os filhos em casa na Europa, relata que além de recusarem permitir que seus filhos assistissem a aulas de educação sexual, as famílias também não permitiram que seus filhos fossem inscritos numa produção teatral de “Mein Körper gehört mir” ou “Meu Corpo Pertence a Mim”, que educa crianças novas a se engajar em relação sexual.
Já que as multas foram insuficientes para forçar as famílias a obedecer, as autoridades governamentais agora sentenciaram os respectivos pais de cada família a passar um breve período na prisão. Um pai passou sete dias na cadeia e foi solto na sexta-feira.
Em vez de impor multas punitivas normais sobre as famílias, o Estado optou por impor uma multa especial chamada “Bussgeld”, que Richard Guenther, diretor europeu do GIDH, explica que literalmente significa “dinheiro de arrependimento”, cujo “objetivo é mostrar contrição por uma conduta errada por parte da pessoa que foi multada”.
As multas “Bussgeld” têm um grande sentido, talvez principalmente porque colocam as oito famílias alemãs numa situação impossível: o pagamento das multas implicaria confissão de culpa, mas eles crêem que não fizeram nada de errado.
“Esse tipo de perseguição das autoridades do governo alemão contra as 8 famílias de Salzkotten mostra que o sistema alemão está empenhado em punir famílias que educam em casa e outros que não se submetem às leis de educação compulsória”, disse Joel Thornton, presidente do GIDH, “mesmo quando estão apenas tirando seus filhos de uma única aula claramente condenável”.
Thornton declara que diferente de boa parte do sistema de educação dos EUA, as autoridades alemãs “vêem as crianças como pertencentes ao Estado, particularmente durante o tempo em que estão na escola” e por esse motivo os interesses e os mandatos do Estado ficam na frente das convicções e autoridade dos pais sobre seus filhos.
Os advogados Gabriele e Armin Eckermann do grupo alemão de defesa da educação escolar em casa SchuzH intervieram com o GIDH para representar as 8 famílias de Salzkotten.
Thornton diz que a situação na Alemanha levou o GIDH a “adotar uma medida mais radical”. Essa medida envolve entrar com ação civil em favor de várias famílias perseguidas que educam em casa a fim de forçar os tribunais da Alemanha a reconhecerem os direitos dos pais como principais educadores de seus filhos.
Os cristãos da Alemanha estão enfrentando enorme perseguição do governo alemão por tirarem seus filhos das escolas públicas alemãs, ou por meio da educação escolar em casa — um ato ilegal de acordo com uma lei instituída durante o governo nazista — ou tirá-los de determinadas aulas que eles consideravam prejudiciais a seus valores cristãos, o que também é ilegal.
O fato de que essas crianças muitas vezes têm um desempenho acima do desempenho de outras crianças da mesma idade em escolas públicas tem pouca importância para a Alemanha; a política pública declarada do governo é suprimir a existência das Parallelgesellschaften ou “sociedades paralelas” baseadas em “convicções filosóficas separadas” por meio do sistema educacional.
O Jugendamt, ou Conselho Tutelar dos Direitos das Crianças e Adolescentes da Alemanha, age como o principal órgão de intervenção estatal, e quando prisão e multas não dobram as famílias cristãs para torná-las submissas, eles recomendam que esses pais cristãos percam a custódia de seus filhos.
Num caso, o Jugendamt, acompanhado por 15 agentes policiais fortemente armados, levou a força a adolescente Melissa Busekros, de 15 anos. Ela foi tirada de seu lar no meio da noite em 2007 contra sua vontade. Contudo, uma intervenção legal garantiu que Busekros tivesse permissão legal de voltar para sua família ao completar 16 anos.
O GIDH está atualmente representando Hans e Petra Schmidt, que enfrentam situação semelhante. Para não perder a custódia de Aaron, seu filho de 14 anos que recebe educação escolar em casa, eles estão lutando contra o Estado. Os Schmidts até agora foram multados em 13.000 euros por causa da educação escolar em casa e o governo já entrou com pedido para confiscar a casa deles.
Algumas famílias que educam em casa fugiram da Alemanha, ou para a Áustria vizinha ou outros países. Os pais alemães que educam em casa Uwe e Hannelore Romeike e sua família fugiram dos Estados Unidos em novembro passado para pedir asilo, uma ação que acabou atraindo a atenção dos meios de comunicação da Alemanha à extrema situação que enfrentam suas estimadas 300-500 famílias que educam em casa.
Para fazer contato com a Embaixada da Alemanha no Brasil, siga este link: http://www.brasilia.diplo.de/Vertretung/brasilia/pt/Kontakt.jsp
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Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/dec/09121108.html
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