31 maio, 2016

Oito razões por que você deveria considerar a educação escolar em casa


Oito razões por que você deveria considerar a educação escolar em casa

Edward B. Driscoll, Jr.
O homeschooling (educação escolar em casa) alcançou um marco histórico na Carolina do Norte no ano escolar 2014-15. Com a matrícula chegando ao auge de 100 mil estudantes, a Carolina do Norte tem agora mais estudantes em casa do que estudantes em escolas particulares.
Essa tendência não está limitada à Carolina do Norte. Um estudo recente na Flórida identificou um crescimento de homeschooling ali em cerca de 10 por cento, e o Instituto Nacional de Pesquisa da Educação em Casa estima-o entre 2 e 8 por cento nos em nível nacional Estados Unidos. “Não é mais um movimento periférico; o homeschooling é uma tendência predominante na sociedade americana,” disse Terry Stoops da Fundação John Locke com sede na Carolina da Norte.
As razões para essa tendência de homeschooling abundam, de acordo com o e-book “Homeschooling: Fighting for My Children’s Future” (Homeschooling: Lutando pelo Futuro dos Meus Filhos), uma coleção de 26 artigos das páginas da PJ Media. Aqui estão oito deles, junto com trechos do livro, para que todos os pais considerem enquanto pesam a melhor forma de educar seus filhos:
1.       Os pais ensinam os valores, não o Estado: Isso significa nenhuma aula de motivação política sobre “casamento” homossexual ou alarmismo sobre aquecimento global. A educação é focada no essencial: leitura, escrita, matemática, ciência e história. E valores bíblicos são abraçados, não zombados.
2.       Aprendizado prático é incentivado: A educação formal não tem de ser limitada a um livro escolar. Os estudantes de homeschooling têm a liberdade de aprender praticando. Às vezes isso chega a envolver incêndio e explosões, pois não deve haver limitações dentro de um ambiente escolar. Paula Bolyard acha que a nova geração de cientistas e inventores incluirá muita gente que foi educada em casa. “Eles não estão acostumados a ouvir: ‘Você não tem permissão de fazer isso — pode ser perigoso!’” ela disse.
3.       A educação não está amarrada a um horário programado: Os pais não precisam isentar seus filhos da escola por nenhuma razão. Eles são livres para adaptar os horários às necessidades da família ou até mesmo a uma ideia excêntrica. “A educação escolar em casa pode ir com você onde quer que você ande,” disse Megan Fox. “É uma coisa bela.”
4.       As aulas não são segregadas por idade: Diferente da maioria das escolas públicas e privadas, os estudantes de homeschooling interagem com pessoas de todas as idades, inclusive adultos. Eles não passam seis horas por dia confinados numa sala com 30 colegas da mesma idade. Isso ajuda a prepará-los para a faculdade e o ambiente de trabalho.
5.       Os pais escolhem o currículo: uma das queixas comuns dos professores é que eles não têm autoridade suficiente sobre o que ensinar ou como ensiná-lo. Os burocratas da educação estabelecem as normas; os professores as seguem. Os pais que ensinam seus filhos em casa podem mudar a direção a qualquer momento que as necessidades de uma criança específica justificarem.
6.       Bullying não é permitido: Rivalidade entre irmãos pode levar a um conflito ocasional, mas os pais estão ali para intervir quando ocorre. O bullying na escola muitas vezes não é percebido ou punido — e às vezes leva ao suicídio. O bullying cibernético vem amplificando o problema. Se seu filho está sofrendo bullying na escola, o homeschooling é uma alternativa viável e mais segura.
7.       O homeschooling melhora a dinâmica da família: As crianças não ficam mal-humoradas e exaustas por chegarem em casa depois de serem forçadas a ficar sentadas paradas numa mesa a maior parte do dia. Elas “são mais influenciadas por seus pais do que por seus coleguinhas. Daí, é natural elas gostarem de estar juntas, mesmo na adolescência,” disse Fox.
8.       Os estudantes de homeschooling destacam-se na educação e vida cívica: Eles alcançam pontuações altas em provas padrões. Três quartos deles vão à universidade. E eles se envolvem mais em suas comunidades e têm mais probabilidade de votar.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): 8 reasons you should consider homeschooling
Leitura recomendada:

17 fevereiro, 2016

Homeschooling no Brasil: para onde está indo?


Homeschooling no Brasil: para onde está indo?

Tendências religiosas e desvios esotéricos

Julio Severo
Um proeminente blog presbiteriano publicou, em 5 de fevereiro de 2016 um artigo (veja: http://archive.is/kshbt) sobre tendências de homeschooling (educação escolar em casa) no Brasil. Ainda que eu discorde deles em questões conservadoras (eles se consideram conservadores, mas sua Universidade Presbiteriana Mackenzie, a maior universidade protestante do Brasil, contrata professores pró-aborto e marxistas), eles foram honestos o suficiente para me mencionar como um dos exemplos mais conhecidos de homeschooling no Brasil. Outros nomes ligados ao homeschooling mencionados, Josué Bueno e Cleber Nunes, foram também notícia em dois artigos escritos por mim em 2008. Esses artigos viraram manchetes internacionais:
Solano Portela, o autor do artigo presbiteriano sobre homeschooling, não teve dificuldade de coletar nomes e casos de homeschooling no Brasil, pois eles são facilmente disponíveis numa mera pesquisa do Google, a qual geralmente dá como resultados meu nome e outros nomes.
Entretanto, de acordo com a ANED, um novo grupo que afirma ser proeminente no movimento de homeschooling no Brasil, só a ANED e seus membros merecem notabilidade no homeschooling brasileiro. O Dr. Alexandre Magno, o advogado da ANED, disse em sua página de Facebook no início de fevereiro:
“A educação domiciliar brasileira saiu da quase completa obscuridade há poucos anos para uma aceitação social praticamente unânime. Os grandes responsáveis por isso foram Rick Dias, presidente da Aned, e o casal Camila Hochmüller Abadie e Gustavo Abadie, do site Encontrando Alegria. A contribuição que essas três pessoas fizeram pela educação brasileira nunca pode ser subestimada.”
A essa declaração exagerada, minha resposta pública foi: “Alexandre, se obscuridade é ser foco de uma longa e importante reportagem da revista Veja, então não sei o que é obscuridade. Em 2001, o Pr. Rinaldo Belisario foi, juntamente com outras famílias, entrevistado pela Veja e também por várias emissoras de TV. Assunto: homeschooling. Isso não se parece com obscuridade.”
A experiência de homeschooling de Gustavo Abadie soma poucos anos, enquanto a experiência de homeschooling do Pr. Belisário equivale a mais de 18 anos. Além disso, Abadie era um pastor evangélico que, com sua esposa, escolheu se converter oficialmente para o catolicismo em 2014.
Muitos jovens evangélicos brasileiros têm passado por um processo de conversão “católica” depois de estudarem um curso de filosofia do filósofo Olavo de Carvalho, que tem vários livros publicados sobre astrologia (ocultismo) no Brasil. Eles começam o curso buscando uma postura antimarxista sólida e terminam como “católicos.” No caso de Abadie, não foi diferente: Antes de sua conversão, ele e sua esposa estavam frequentando “aulas de filosofia” de Carvalho.
Em outubro de 2013, quando Carvalho começou a me difamar porque discordei de sua manada pró-Inquisição, Abadie criticou em seu Facebook um homem que teria difamado Carvalho e imediatamente acrescentou que sua crítica era válida também para mim. Abadie disse:
“Um homem que se diz cristão e chamava até pouco tempo outro de seu amigo, agora quando o xinga de pústula e hipócrita, com certeza não é um cristão piedoso, mas assemelha-se a um rato do esgoto mais imundo.”
Alguém então lhe perguntou se ele estava se referindo a Julio Severo. A isso Abadie respondeu em seu Facebook: “Não é, originalmente, mas cabe-lhe o chapéu.” (Uma cópia desse post de Facebook foi salva para documentação.)
Depois de seu comentário grosseiro contra mim, ele desfez sua amizade comigo no Facebook. Eu nunca o havia difamado ou xingado. Pelo contrário, antes de sua conversão, eu havia publicado dois artigos em 2012 escritos pelo então pastor evangélico Gustavo Abadie contra o marxismo.
Ao que tudo indica, ele achou que a questão entre mim e Carvalho sobre a Inquisição me qualifica como “rato do esgoto mais imundo,” só porque discordei de seu “mestre” — adeptos e seguidores de Carvalho geralmente o chamam de “mestre.” Uma transformação muito grande: um alegado pastor evangélico tomando o lado de um católico radical que, com uma linguagem muito suja, habitualmente defende a Inquisição e habitualmente difama os dissidentes. É de admirar que num tempo muito curto ele tenha se convertido?
No entanto, apesar de tal incivilidade, Alexandre Magno e sua ANED insistem em que o homeschooling no Brasil era “obscuro,” mas que um ex-pastor evangélico e hoje militante católico o tornou famoso. Se isso não é grosseiramente exagerado, então o que é? Se não é auto-bajulação, então ao que é?
Uma pesquisa no Google sobre “Gustave Abadie” dá não mais de 3 mil resultados. Veja: http://archive.is/w9whV (Nesses resultados, a única posição mais visível de homeschooling para ele é seu papel como palestrante na “Global Home Education Conference 2016,” que é um evento proeminente por causa de seu patrocinador, a Associação de Defesa Legal da Educação em Casa [Home School Legal Defense Association].)
Meu nome, que na avaliação de Magno seria “obscuro,” dá mais de 200 mil resultados.
A conta de Twitter de Abadie tem 114 seguidores (veja: http://archive.is/wQNdz). A minha, que seria “obscura,” tem mais de 10 mil seguidores (veja: https://twitter.com/juliosevero).
É com essa real obscuridade que Abadie tem sido empurrado para uma proeminência acima de pioneiros de homeschooling no Brasil.
O que inspiraria Magno a apresentar de forma inapropriada a realidade brasileira? Dias atrás ele disse em sua página de Facebook:
“Uma vez fui acusado de ser, como aluno do COF, influenciado pelo Olavo de Carvalho. Confesso que chegou a ser engraçado: que raio de professor de filosofia seria ele se não influenciasse (mais exatamente, ensinasse) seus alunos? E aí chamam de culto um curso onde um professor ensina e os alunos aprendem. Na cabeça de alguns, o contrário deveria ser o normal...”
Minha resposta pública:
Sobre culto, isso procederia se Olavo tivesse experiência e conexão com seitas. Espere — ele tem vários livros sobre astrologia (ocultismo). Ele foi o principal responsável pela propaganda e visibilidade no Brasil de René Guénon, um bruxo islâmico. Depois desse envolvimento pesado com o ocultismo, ele opta pela filosofia. Mas dá para separar o ocultista do filósofo? Tive uma experiência em 2013, onde de forma educada e discreta critiquei a Inquisição DEPOIS que pessoas ligadas ao Olavo começaram a defender essa máquina assassina, inclusive dizendo que nós evangélicos somos os cátaros modernos (para quem se lembra da história, os cátaros foram dizimados pela Inquisição). A resposta do Olavo, e seus alunos pró-Inquisição, foi fazer chover sobre mim fogo e fezes: xingando, difamando, etc. Bastava o Olavo postar um comentário ofensivo contra mim exclusivamente porque eu tinha opinião diferente, e seus seguidores curtiam à vontade. Experimentei então perguntar a alguns dos curtidores porque curtir um comentário ofensivo: a pessoa caiu em si, me pediu desculpas e disse que estava acostumava a curtir os posts do Olavo apenas por curtir… Isso é mentalidade de manada, típico de seita. Se não fosse o passado ocultista do Olavo, pensaríamos que tudo isso é mera coincidência. Mas o passado e o presente fazem parte de um quebra cabeça, onde tudo se encaixa. Por falar em Inquisição, o Dr. Michael Farris, que é o fundador da Home School Legal Defense Association, tem um livro que ataca a Inquisição. Eu sinceramente gostaria de ver o Olavo e sua manada irracional atacarem o Dr. Farris. Traduzi alguns trechos do livro do Farris, que se encontram aqui: http://juliosevero.blogspot.com/2016/01/ignorancia-da-biblia-corrupcao-do-clero.html
Anos atrás, um líder pró-família se encontrou com Magno, que prontamente disse que ele e todos os ativistas da ANED eram estudantes no curso de filosofia de Carvalho, onde a discordância não é tolerada, mas incentiva-se a difamação e ridicularização de opiniões diferentes.
Quando contestado em questões como a Inquisição, que ele publicamente diz é uma invenção de evangélicos dos EUA, Carvalho tipicamente ridiculariza e difama os discordantes, chamando-os de nomes obscenos. Magno tem publicamente “curtido” os comentários ofensivos de Carvalho no Facebook contra mim com relação à Inquisição. (Uma cópia desses posts de Facebook foi salva para documentação.)
Atitudes submissas e não-discordantes são marca registrada de seitas e fanatismo sectário e levam a conversões.
Tais conversões podem levar as vítimas a qualquer “paraíso” religiosa e politicamente correto escolhido pelo proselitista. Se ao estudar tão chamados “cursos de filosofia,” estudantes ou discípulos podem ser conduzidos ao catolicismo, e se o professor de filosofia (ou “mestre”) os conduzir ao ocultista islâmico René Guénon e outros feiticeiros?
Posso conviver com católicos em uniões pró-vida e pró-família. Aliás, tenho convivido com tais bons católicos por 30 anos, e nenhum deles estava envolvido na causa de defender ou desculpar a Inquisição. Eles estavam — inclusive meu bom amigo falecido Pe. Paul Marx — envolvidos em causas pró-vida. Mas agora, há indivíduos de boca suja que se autodeclaram pró-vida, mas que defendem a Inquisição e difamam os discordantes. Será que uma união à custa da civilidade pode prognosticar harmonia, especialmente ao desculpar a Inquisição, que mal dá para dizer que era uma instituição pró-vida? Será que tal união, sob a influência “filosófica” de um proselitista, pode promover um movimento de homeschooling saudável?
Obliterar grandes reportagens sobre homeschooling (a proeminente reportagem da revista Veja de 2001 é um exemplo) como “obscuras” porque não se encaixam na agenda de um grupo não é homeschooling real.
Empurrar, exaltar e fazer propaganda de indivíduos de um grupo acima de pessoas mais experientes que estão fora desse grupo não é ético, especialmente porque a “Global Home Education Conference 2016,” a ser realizado no Brasil em março de 2016 e em grande parte financiado pela Associação de Defesa Legal da Educação em Casa, deveria ser representada pelos melhores e mais originais líderes de homeschooling do Brasil. Mas isso não está acontecendo.
Ignorar e tratar como “obscuro” o Rev. Rinaldo Belisario e sua experiência de homeschooling (ele agora tem quatro filhos adultos educados em casa) para dar preferência a um ex-pastor evangélico que tem mínima experiência de homeschooling não é correto.
Se você pode ser proeminente e sair da “obscuridade” só se juntando a um grupo onde todos são basicamente influenciados por uma filosofia proselitista e você pode se tornar um católico ou esotérico ou católico esotérico, então isso não é homeschooling saudável. Isso se assemelha a uma seita.
Nesse sentido, não sei para onde o homeschooling brasileiro está se dirigindo, e estou preocupado com suas tendências religiosas e desvios esotéricos. Estou também preocupado com o modo como a “Global Home Education Conference 2016” pode dar poder e empurrar para a proeminência indivíduos brasileiros que, para avançar sua seita “filosófica,” querem tornar as experiências pioneiras e originais de homeschooling no Brasil tão obscuras quanto possíveis.
Versão em inglês deste artigo: Homeschooling in Brazil: Where Is it Headed?
Leitura recomendada sobre homeschooling:
Leitura recomendada sobre a Inquisição:

16 fevereiro, 2016

Entrevista com Pr. Rinaldo Belisário sobre homeschooling


Entrevista com Pr. Rinaldo Belisário sobre homeschooling

Em 1999, conheci o Pr. Rinaldo Belisário, um pastor batista que estava envolvido no homeschooling — o sistema educacional, muito conhecido nos Estados Unidos, em que os pais dão aos filhos educação escolar em casa. O exemplo do Pr. Rinaldo foi o primeiro caso que conheci pessoalmente de um brasileiro usando esse método. Antes disso, o que eu via era brasileiros interessados nesse método.
Rinaldo Belisário ensinando seu filho em casa, conforme foto de reportagem da revista Veja em 2001.
Em 1995, num grande congresso pró-vida em Brasília, meu amigo Dr. Humberto L. Vieira, presidente e fundador da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, havia me apresentado uma jovem mãe interessada no homeschooling. Ele já havia louvado para ela o livro “De Volta Ao Lar,” que ele considerava o melhor livro de homeschooling do Brasil. O livro, traduzido por mim e escrito pela líder de homeschooling Mary Pride, não estava ainda publicado no Brasil, embora eu tivesse buscado inúmeras editoras para publicá-lo. Essas editoras achavam o homeschooling impraticável no Brasil, classificando o livro como fora da realidade brasileira. Mas vendo o esforço da jovem mãe, forneci uma tradução impressa do livro a ela.
Infelizmente, a família dela, inclusive sua estrutura de homeschooling, acabou se desmoronando por vários favores, inclusive intervenções do Conselho Tutelar.
Entretanto, o caso do Pr. Rinaldo ficou destacado pela maneira como Deus protegeu sua família de denúncias e intervenções do Conselho Tutelar. Se Deus o preservou de modo tão gracioso é porque o exemplo dele seria valioso para famílias que viessem a ter interesse no homeschooling. A característica que mais chama a atenção nele é a discrição e modéstia.
Julio Severo: Como você ficou conhecendo o homeschooling, que é o sistema de educação escolar em casa?
Pr. Rinaldo Belisário: Tudo começou quando conheci um amigo meu que tem 10 filhos, que não eram como as outras crianças. As atitudes deles eram diferentes e mostravam respeito e pareciam como se fossem adultos. Não que eram adultos, mas não tinham aquela inquietação ou certas ações comuns em crianças sem disciplina. Fiquei observando e foi aí que comecei a investigar o que os levavam a ser diferentes. Soube que eles não iam a escola e estudavam em casa por um sistema de ensino. Procurei saber mais do assunto e em alguns meses obtive o conhecimento sobre o homeschooling que eles aplicavam nos filhos.
Julio Severo: O que mais atraiu você ao homeschooling?
Pr. Rinaldo Belisário: A capacidade das crianças e jovens assimilarem e aprenderem mais rápido o que precisavam para a vida. O caráter dos filhos deste amigo meu davam uma certeza “inveja,” pois queria que meus filhos o tivessem também.
Julio Severo: O sistema de educação pública é melhor ou pior do que o homeschooling? Quais são as vantagens e desvantagens comparativas?
Pr. Rinaldo Belisário: Eu considero que a vida proporciona oportunidades e aprendizado. Eu já trabalhei como professor e conheço como o sistema de educação funciona. Conheço as vantagens e as desvantagens do ensino público ou privado. Eu considero no geral que o homeschooling é superior à educação pública ou privada.
Vantagens do homeschooling:
1. O ensino é de um para um, exclusividade. Faz menção ao ensino acadêmico dos filhos dos reis nos tempos antigos. 
2. O aprendizado busca entender e assimilar o conceito/entendimento sobre a matéria/assunto.
3. Busca aprimorar o desenvolvimento por meio daquilo que chama interesse do estudante.
4. Leva menos tempo em aprender e possibilita o desenvolvimento na leitura aplicada.
5. O convívio em grupo é baseado no ambiente familiar, aperfeiçoando o caráter de cada indivíduo. Verdadeira sociabilidade.
Desvantagens do homeschooling: Desconheço, pois meus filhos tiveram oportunidades de aplicar o que aprenderam com alto nível.
Vantagens da educação pública ou privada:
1. Amplo conhecimento em muitas áreas quando a escola se compromete em ensinar.
2. Aprendizado com qualidade quando os professores são comprometidos no repasse do conhecimento de maneira prática.
Desvantagens da educação pública ou privada:
1. Cria conflito quanto aos valores adquiridos em ambiente familiar.
2. Perigo de amizades indesejadas.
3. Rejeição por parte dos que se dizem sociáveis.
4. Violência promovidas por grupos. Se obriga a tomar um lado.
Julio Severo: Você e sua esposa têm alguma experiência como educadores do sistema público? Conhecem por dentro?
Pr. Rinaldo Belisário: Minha esposa é pedagoga e eu conclui o magistério de 1º grau (não existe mais). Ambos somos capacitados para lecionar. Entretanto, o que podemos ver é que essa capacitação apenas colaborou com o homeschooling. A forma de ensinar em casa é diferente do ensino pública ou privado. Aliás, qualquer pessoa poderia ensinar seus filhos em casa. Nada impede. E não é preciso algum curso para isso. Minha esposa já lecionou por anos e administrou uma escola também. Eu já lecionei no ensino fundamental e médio por curto tempo. Minha esposa e eu conhecemos como funciona o sistema de ensino.
Julio Severo: Você já foi entrevistado, junto com três outras famílias, pela revista Veja numa importante matéria sobre homeschooling em 2001. Como foi a experiência de ser entrevistado pela maior revista do Brasil?
Pr. Rinaldo Belisário: Naquela oportunidade, nós não conhecíamos aquela família do sul do Brasil. E sabíamos que tinham outras ensinando seus filhos em casa. Foi interessante saber que não estávamos sozinhos. Mas isso não nos preocupava, pois já tínhamos traçado nossos alvos para nossos filhos.
Julio Severo: Muitas famílias que tentaram essa educação foram neutralizadas por pressões legais ou Conselhos Tutelares (CT), depois de uma denúncia. Aliás, o caso legal mais proeminente da época acabou sendo destruído pelo CT. Por que o envolvimento do CT na maioria ou todos os casos de homeschooling no Brasil? Como foi que você escapou do CT?
Pr. Rinaldo Belisário: Conforme a Legislação, o Conselho Tutelar tem autonomia para verificar como estão as crianças na família. Eles julgam que podem intervir, mas até certo ponto. Por falta de conhecimento, os pais acabam sendo forçados a obedecer ao que eles impõem. Este link explica melhor as prerrogativas.
Nós nunca fomos parar num CT nem sofremos qualquer pressão por parte do CT. Aliás, eles nem se quer sabiam da existência de nossa família. Acredito que Deus tem sido bondoso e nos guardado durante aquele tempo.
Julio Severo: Há muitos exemplos de famílias americanas, especialmente missionárias, no Brasil que sempre educaram em casa sem problemas. O governo brasileiro parece nunca ter importunado nenhuma dessas famílias nem exigido delas obediência na questão do homeschooling. Por que?
Pr. Rinaldo Belisário: O Brasil não interfere na vida dos estrangeiros sobre o ensino, pois a lei os ampara nessa questão. Eles possuem privilégios e declaram que seus filhos precisam estudar na língua de origem para concluir seus estudos na idade correta em seu país. 
Julio Severo: Você conheceu famílias americanas que fizeram homeschooling no Brasil sem problemas com a lei brasileira?
Pr. Rinaldo Belisário: Sim. A maioria dos americanos que chegam ao Brasil ensinam seus filhos em casa, pois eles desejam que voltem para seu país a fim de continuarem e se formarem em alguma universidade americana. Além disso, conheci famílias que moram nos EUA e seus filhos estudam em casa. Mas conheço também estrangeiros que colocam seus filhos escolas privadas no Brasil.
Julio Severo: Você conheceu famílias brasileiras que tentaram o homeschooling, mas foram hostilizadas pela lei brasileira?
Pr. Rinaldo Belisário: Sim. Algumas famílias até entraram em contato conosco e ajudei algumas dando conselhos e estimulando que o benefício desse sistema vem no decorrer dos anos. Algumas desistiram, pois não tinham apoio de familiares. Outras continuaram.
Julio Severo: Você foi um dos pioneiros quando a grande mídia começou a se interessar pelo assunto de homeschooling 16 anos atrás. Há quantos anos você usa o homeschooling e quantos de seus filhos foram educados nesse sistema?
Pr. Rinaldo Belisário: Eu uso o homeschooling desde 1998 e nossos filhos nunca foram para a escola para aprender as matérias que a escola ensina. Eles aprenderam em casa em menos tempo do que a escola proporciona. O meu filho mais velho concluiu o aprendizado do ensino médio com 13 anos.
Julio Severo: Em comparação com a época em que você começou a educar em casa, está mais difícil hoje ou era mais difícil na sua época?
Pr. Rinaldo Belisário: Era muito mais difícil em 1998 do que agora. Naquela época, o governo [FHC] estava em cima daqueles que rejeitavam a educação pública. Levantar a bandeira do homeschooling era indício de guerra contra eles. Hoje é mais fácil, pois há mais opções do que naquele tempo. Além disso, há falta de vagas nas escolas e o governo não tem como correr atrás daqueles que não vão à escola.
Julio Severo: Depois que a revista Veja entrevistou você 15 anos atrás, as autoridades perseguiram você? Você foi entrevistado por outras mídias?
Pr. Rinaldo Belisário: Depois que a matéria saiu na Veja, algumas emissoras de TV nos procuraram para fazer entrevistas. Apenas permitimos à Futura fazer uma reportagem. Eu não tive a oportunidade de assistir, pois não havia TV que possibilitava em casa. Apesar de ser reconhecido pela impressa, não veio nenhuma autoridade até minha casa ou me procurar para questionar sobre o assunto de homeschooling. Não recebi nenhum tipo de intimação ou convocação para falar sobre isso.
Julio Severo: Você poderia contar alguns exemplos de como Deus livrou sua família dos Conselhos Tutelares e outras perseguições governamentais?
Pr. Rinaldo Belisário: Depois da Veja e da Entrevista da TV Futura, resolvemos preservar nossos filhos de pressões externas. Em vez de “balançar” a bandeira, apenas a colocamos em pé e ficamos junto dela. Sem movimentos ou buscando ser reconhecidos pelo que fazíamos, nossos filhos não tinham mais pressão e assim poderíamos trabalhar com eles. O CT nem nos procurou em tempo nenhum e muito menos o governo. A questão é esta: Os educadores que defendem a legitimidade sobre o direito de ensinar DECLARAM que o LDB (lei de diretrizes e base da educação) é maior que a Constituição. Isso é o que declaravam naquela época, dando a entender que a criança fora da escola e seu convívio não estaria adequada para a sociedade na idade apropriada. Eu discordo, pois depois desses anos é perceptível as atitudes deles hoje. Não digo isso de todos que frequentam a escola, mas a maioria demonstra ações que os próprios pais (eu ouço) dizem.
Julio Severo: Para você como líder evangélico, quais as vantagens do homeschooling?
Pr. Rinaldo Belisário: Eu não me considero evangélico. Eu me considero cristão. Ser cristão é ser “pequeno Cristo.” Sendo assim, os ensinos do cristão estão em harmonia com aquilo que Ele é.
O que buscamos é ser como Cristo foi: Suas ações e caráter. Eu não conheço nenhum método de ensino público ou privado que busca esse alvo.
Há muitas vantagens da prática de homeschooling. 
Vou citar as que considero importantes:
1. Ensino dedicado e exclusivo para o estudante.
2. Aprendizado focado naquilo que chama o interesse do estudante.
3. Menor tempo de aprender os conceitos sobre os assuntos.
4. Uma mente aberta para todos os tipos de assuntos.
Julio Severo: Quais as desvantagens espirituais da educação pública para crianças cristãs?
Pr. Rinaldo Belisário: Existe e vou citar algumas:
1. Exclusão de Deus e Seus valores.
2. Exclusão da Bíblia como um livro de aprendizado.
3. Exclusão de valores familiares.
4. Aceitação como padrão as ideias humanistas.
Julio Severo: Com sua longa experiência de ser um dos pioneiros brasileiros na educação escolar em casa, qual seu conselho para as famílias cristãs que desejam essa educação?
Pr. Rinaldo Belisário: Eu não aconselho colocar seus filhos a mercê de professores que dão conselhos ímpios e colegas que podem roubar o coração deles.
É um desafio. Será preciso um acordo entre os pais para ensinar seus filhos em casa. Deve ser 100%, caso contrário, haverá sérias implicações.
Mas se ambas as partes concordam, tem tudo para dar certo. Não será muito fácil, mas é possível desenvolver usando um método escolhido. Eu sugiro tomar conselhos com alguém que já aplicou e hoje os filhos já estão prontos.
Existe várias formas de ensinar em casa. Você pode usar o método tradicional, método tradicional modificado ou o método bíblico.
Entretanto, para isso será necessário que um dos cônjuge fique em casa a fim de instruir e ser o professor(a). (Preferivelmente a esposa.)
Como disse anteriormente, não é preciso nenhum preparo, apenas disposição e força de vontade.
Será necessário que os pais tenham planejado os passos e suas convicções bem sólidas para enfrentar os confrontos de familiares e amigos.
Descrição dos Métodos:
Método Tradicional (MT):
É o uso das matérias escolares como se ensina hoje. Em vez de usar um professor, você se torna o professor. 
Segue o currículo padrão, mas com menos tempo e liberdade de estudar por matéria ou por matérias ao mesmo tempo.
Método Tradicional Modificado (MTM):
É o mesmo que o Método Tradicional, mas com acréscimo de alguns itens que interessam ao estudante.
Por exemplo: Se o estudante gosta de futebol, você cria uma oportunidade de usar a matemática dependendo de onde ele se encontra em cada ano letivo a fim de estimular o uso prático de cálculos e fórmulas em um ou mais campeonatos tanto no Brasil como fora deste.
Poderia ser qualquer coisa, mas depende do interesse do estudante. O importante é não ficar preocupado com o tempo.
Tanto no MT como MTM o uso de 3 a 4 horas é o suficiente para aprender. E depois do 7º ano, geralmente o estudante vai progressivamente evoluindo por si só.
Método Bíblico (MB):
É o uso das Escrituras como base e desenvolver seu próprio currículo. 
Aliás, era usado apenas o Pentateuco no ensino das crianças judaicas entre 6 a 13 anos. 
Se considerar os anos, seriam iguais ao ensino fundamental. 
Esse método usa de 3 a 4 horas para aprender.
No entanto, no Brasil não existe um currículo com esse perfil. Em alguns países, principalmente EUA, há vários e conheço alguns. Uns mais complexos e outros mais simples.
E quase todos necessitam de certo treinamento para serem aplicados pelos pais.
Há algum tempo, tenho trabalhado em um Currículo Bíblico e ainda estou desenvolvendo e em breve irei disponibilizar para as famílias cristãs que desejam aplicar para seus filhos.
Leitura recomendada:

27 fevereiro, 2015

Ex-alunos contam experiência de ensino domiciliar, que cresce no país


Ex-alunos contam experiência de ensino domiciliar, que cresce no país

Mateus Luiz de Souza
Desde 2012, o MEC permite que o desempenho no Enem seja utilizado como certificação de conclusão do ensino médio. O foco era beneficiar alunos de supletivo, mas a medida na prática facilitou também a vida dos jovens que foram educados em casa –o homeschooling.
Segundo a Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), desde então o número de adeptos no Brasil dobrou e atingiu 2.000 famílias.
A Folha procurou ex-alunos do homeschooling para conhecer suas impressões sobre o sistema em expansão.
Lorena Dias, 17, saiu da escola em 2010, no 8º ano. Ela diz ter pedido para sair, porque sofria bullying e os pais estavam preocupados com as greves e a presença de drogas e no colégio público em que estudava, em Contagem (MG).
Guilherme, 13, e Lorena, 17, que são educados em casa pelos seus pais, Lilian e Ricardo Dias
"Não tinha muita ideia de como faríamos. Fiquei um pouco perdida no início", diz.
Ela admite que o padrão rígido de estudos estabelecido pelos pais no começo, determinando horários e os conteúdos, foi flexibilizado com o tempo. Questionada se isso não é ruim, ela responde que não. "Me senti livre para usar meu tempo da forma mais confortável. Na escola, você segue o ritmo do professor."
Ela diz que sentia falta da convivência diária com crianças. Para tentar compensar, os pais faziam encontros quinzenais de famílias adeptas do homeschooling. Além disso, ela manteve contato com algumas amigas da escola.
Lorena está tentando se matricular em jornalismo em uma universidade de Brasília, onde mora hoje. A falta de um certificado de ensino médio tem sido um problema –para utilizar o Enem, o aluno precisa ter 18 anos, um a mais do que ela. Lorena tenta agora uma liminar judicial.
Vale lembrar que, apesar do Enem, o homeschooling não é regulamentado no Brasil, ao contrário do que ocorre nos EUA. Assim, as famílias precisam estar cientes de que não há consenso sobre sua legalidade.
Uma interpretação judicial possível é que as famílias estão violando o artigo 246 do Código Penal (que considera crime "deixar de prover à instrução primária" aos filhos).
A Aned alega que quem dá homeschooling não está deixando de prover instrução primária. A maior parte das famílias nunca teve problemas legais, mas ficou famoso o caso do casal Cléber e Bernadeth Nunes, de Timóteo (MG), condenado a pagar multa de R$ 9 mil em 2010 por educar os filhos em casa. O conselho tutelar levou o caso ao Ministério Público, que abriu a ação.
Os garotos Jônatas e Davi estão hoje com 20 e 21 anos. Jônatas critica o ensino formal –diz que as provas que fez eram "pura decoreba". Em casa, não tinham horário para estudar: eram livres para decidir quando pegar nos livros. De família religiosa, liam a Bíblia com frequência.
Os garotos se dedicaram também à informática. Adolescentes, criavam sites para clientes da região. Em 2011, ganharam R$ 30 mil de prêmio na Campus Party, por um projeto de melhora para o AcessaSP (rede de acesso gratuito à internet de São Paulo).
Davi é hoje responsável pela informatização da nefrologia do hospital municipal de Betim (MG). "Vou querer educar meus filhos com ensino domiciliar", diz.
Não seria o primeiro caso. A família Brennan, aliás, já está na terceira geração de homeschooling.
Os pais de Timothy Brennan Jr., 41, estudaram em casa porque, quando a família se mudou dos EUA para o Pará, a escola mais próxima ficava muito longe. Depois a família se mudou para o Rio Grande do Sul, mas ele foi educado da mesma forma.
Hoje em Chapecó (SC), onde é dono de uma escola de inglês, ele até tentou colocar os filhos em uma escola, mas ficou decepcionado com os resultados. Resolveu ensinar em casa Marky, 14, e Ellen, 12.
Um desafio, diz, é que ele morava numa fazenda, com liberdade para brincar e muitas crianças ao redor. Já Marky e Ellen estão em uma cidade, onde o contato com jovens é menor, assim como os espaços para lazer.
Outra limitação é que o sistema exige muito dos pais. Ricardo Dias, 44, pai de Lorena, diz que vários pais o procuram para saber como é o ensino em casa. "O pai fica o dia inteiro fora, a mãe também. Eu falo: não dá, não faz."
"Por isso, a família tem de ter um nível financeiro bom", afirma Luciane Barbosa, doutora em educação pela USP e autora de uma tese sobre o assunto. "É muito difícil dar certo em outras condições."
É a opinião também do pedagogo Fabio Schebella. "Ao menos um dos pais vai ter que ficar em tempo quase integral com os filhos, e muitas vezes vai ter de estudar antes deles.
Divulgação: www.juliosevero.com
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