25 outubro, 2017

Aniversário de 500 anos da Reforma protestante: Recordando a contribuição de Martinho Lutero na esfera da alfabetização


Aniversário de 500 anos da Reforma protestante: Recordando a contribuição de Martinho Lutero na esfera da alfabetização

Richard Gunderman
Este ano marca o aniversário de 500 anos das famosas 95 Teses de Martinho Lutero, as quais ajudaram a desencadear a fundação da Reforma e a divisão da Cristandade em protestantismo e catolicismo.
As 95 Teses criticavam a venda de indulgências da Igreja Católica, as quais Lutero considerava como uma forma de corrupção. Na época de Lutero, as indulgências haviam evoluído para pagamentos que, segundo se dizia, reduziriam castigos por pecados. Lutero cria que tais práticas só interferiam no arrependimento genuíno e desestimulavam as pessoas de darem ajuda para os pobres. Uma das contribuições teológicas mais importantes de Lutero foi o “sacerdócio de todos os crentes,” o qual indicava que o povo comum possuía tanta dignidade quanto os líderes religiosos.
Menos conhecido é o papel crucial que Lutero desempenhou defendendo a ideia de que as pessoas comuns lessem bastante e de forma satisfatória. Diferente do papado e seus defensores, que estavam produzindo escritos somente em latim, Lutero alcançou os alemães em sua língua materna, aumentando consideravelmente a acessibilidade de suas ideias escritas.
Em minhas aulas de filantropia, o esforço de Lutero para promover a alfabetização é um dos acontecimentos históricos que muitas vezes discuto com meus estudantes.

Anos iniciais

Nascido na Alemanha em 1483, Lutero seguiu os desejos de seu pai de estudar direito. Certa vez, ao ser pego numa terrível tempestade com trovões, ele fez a promessa de que se fosse salvo, se tornaria monge.
De fato, Lutero posteriormente se juntou à austera ordem agostiniana, e se tornou padre e doutor em teologia. Mais tarde ele foi tendo objeções a muitas práticas da Igreja Católica. Ele protestou contra a promoção das indulgências, a compra e venda de privilégios eclesiásticos, e o acúmulo de riquezas consideráveis por parte da Igreja Católica enquanto os camponeses mal tinham com que sobreviver. A lenda diz que em 31 de outubro de 1517, Lutero fixou suas 95 Teses na porta da igreja em Wittenberg, a cidade em que ele tinha sua base.
Ele foi marcado como criminoso por recusar se retratar de seus ensinos. Em 1521, o Papa Leão X excomungou Lutero da Igreja Católica. Seu protetor, Frederico da Saxônia, salvou Lutero de represálias adicionais e o levou em segredo a um castelo, onde ele permaneceu por dois anos.
Foi durante esse tempo que Lutero produziu uma tradução imensamente influente do Novo Testamento em alemão.

Impacto do que Lutero escrevia

A introdução inicial da imprensa de Gutenberg em 1439 possibilitou a disseminação rápida das obras de Lutero em boa parte da Europa, e seu impacto foi inacreditável.
A coleção de obras de Lutero se estende a 55 volumes. Estima-se que entre 1520 e 1526, umas 1.700 edições das obras de Lutero foram impressas. Dos seis a sete milhões de panfletos impressos durante aquele tempo, mais de 25 por cento eram as obras de Lutero, muitas das quais desempenharam um papel vital no avanço da Reforma.
Graças à tradução da Bíblia que Lutero fez, tornou-se possível para as pessoas de fala alemã pararem de depender das autoridades católicas e em vez disso lerem a Bíblia por si mesmas.
Lutero argumentou que as pessoas comuns não só tinham a capacidade de interpretar a Bíblia por si mesmas, mas que ao fazerem isso elas tinham a melhor chance de ouvir a palavra de Deus. Ele escreveu:
“Deixem que as pessoas que querem ouvir Deus falar leiam a Bíblia.”
A Bíblia de Lutero ajudou a formar um dialeto alemão comum. Antes de Lutero, pessoas de diferentes regiões da atual Alemanha muitas vezes experimentavam grande dificuldade de entender umas às outras. A tradução da Bíblia que Lutero fez promoveu um único idioma alemão, ajudando a unir o povo em torno de uma língua comum.

Expandindo a alfabetização

Essa perspectiva, junto com a disponibilidade ampla da Bíblia, mudou a responsabilidade pela interpretação da Bíblia dos líderes para o povo comum. Lutero queria que as pessoas comuns assumissem mais responsabilidade por ler a Bíblia.
Ao promover esse ponto de vista, Lutero ajudou a fornecer um dos argumentos mais eficazes para a alfabetização universal na história da civilização ocidental.
Numa época em que a maioria das pessoas trabalhava na lavoura, ler não era necessário para manter um meio de sustento de vida. Mas Lutero queria remover a barreira de linguagem de modo que as pessoas pudessem ler a Bíblia sem impedimento. Seu raciocínio para querer que as pessoas aprendessem a ler e lessem regularmente estava, a partir de seu ponto de vista, entre os mais fortes imagináveis — quer ler por si mesmos aproximaria os leitores de Deus.
Durante grande parte da vida de Lutero, sua produção estupenda em obras teológicas só foi superada por seus comentários da Bíblia. Ele acreditava que nada poderia substituir encontros diretos e contínuos com a Bíblia, que ele defendia e ajudou a formar por meio de seus comentários detalhados.

Lendo para interpretar a verdade

Lutero tinha muitas razões para favorecer a disseminação da alfabetização. Ele era professor universitário. Suas 95 Teses tinham a intenção de provocar um debate acadêmico. Seus ensinos e conhecimento acadêmico desempenharam um papel crucial no desenvolvimento de sua teologia. Finalmente, ele reconheceu o papel crucial que os estudantes desempenhariam no avanço de seu movimento.
De forma tão poderosa a influência de Lutero reverberou durante séculos que, durante uma visita à Alemanha em 1934, o Rev. Michael King Sr. escolheu mudar seu nome e o nome de seu filho para Martin Luther King. Martin Luther King Jr., homônimo do grande reformador alemão, faria pleno uso do poder da liberdade de expressão para acelerar o movimento de direitos civis nos Estados Unidos.
Ao postar suas 95 Teses, Lutero estava incentivando uma troca forte de ideias. A melhor comunidade não é aquela que suprime a divergência, mas aquela que por meio de argumentação desafia as ideias que acha desagradáveis. Em grande parte, é por causa dessa razão que os fundadores dos Estados Unidos levaram tão a sério a liberdade de religião, associação livre e a proteção de uma imprensa livre.
Lutero confiava nas pessoas comuns para discernirem a verdade. Tudo o que elas precisavam era da oportunidade de interpretarem por si mesmas o que liam.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do site The Conversation: On the Reformation’s 500th anniversary, remembering Martin Luther’s contribution to literacy
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09 maio, 2017

O homeschooling está crescendo rapidamente — na Rússia!


O homeschooling está crescendo rapidamente — na Rússia!

Bob Unruh
O homeschooling (educação escolar em casa), proibido na Rússia em grande parte do século passado, está começando a crescer rapidamente, de acordo com um especialista americano de homeschooling.
“O homeschooling na Rússia obteve reconhecimento tanto dos meios de comunicação quanto da sociedade em geral,” disse Mike Donnelly, diretor de difusão mundial da Associação de Defesa Legal da Educação Escolar em Casa. “Parte disso é resultado de seu crescimento até agora.”
Donnelly, que recentemente esteve numa conferência na cidade russa de São Petersburgo, disse que os apoiadores russos do homeschooling expressaram “otimismo genuíno pelo futuro” e “confiança em seus planos de alcançar crescimento considerável.”
Sua organização, que é a primeira a defender legalmente o homeschooling no mundo inteiro, luta pelos direitos dos pais ensinar seus filhos, muitas vezes uma parte integral de acordos e tratados internacionais.
E embora grandes conflitos continuem na Alemanha, na Suécia e nos Estados Unidos em anos recentes, na Rússia o movimento de homeschooling está amadurecendo, ele informou.
Um de seus encontros foi com Pavel Parfentiev, o presidente da diretoria de Za Prava Sem’i, uma organização de direitos da família.
“Realmente creio que a educação em casa tem um grande futuro na Rússia,” ele disse, de acordo com Donnelly.
“A lei russa especificamente declara que os pais são os educadores principais de seus filhos,” disse Parfentiev.
O movimento na Rússia, ainda “em seus primeiros dias,” tem obstáculos, inclusive exigências de currículo nacional que os pais estão trabalhando para remover.
Donnelly informou: “Líderes de homeschooling estimam que há entre 50.000 e 100.000 crianças russas sendo educadas em casa. Embora essa faixa esteja bem abaixo do 0,5 por cento da população em idade escolar (em comparação, estimativas colocam a comunidade crescente de homeschooling nos EUA perto de 4 por cento da população em idade escolar), coloca a Rússia em segundo lugar, depois do Reino Unido, entre os países europeus.”
Parfentiev disse: “A maioria das pessoas realmente respeita essa educação como uma opção educacional normal e boa para os pais.”
Donnelly disse que a força do movimento crescente foi evidenciada por uma mãe de nome Victoria, que com seu marido Boris está examinando as opções de homeschooling, ainda que seu filho mais velho não tenha ainda 4 anos.
Traduzida por Boris, Victoria disse: “Entendo que as crianças tenham sido dadas a mim por Deus, mas por muito pouco tempo.”
E educá-las?
“Entendo que essa é minha tarefa, e não a tarefa de professores por aí. Estou ficando mais e mais convencida de que esse é o jeito certo.”
Donnelly disse que ele não é o único que está vendo esperança nos pais russos que educam em casa.
Ele estava acompanhado, na conferência de São Petersburgo, de Gerald Huebner, diretor da filial canadense da Defesa Legal da Educação Escolar em Casa.
“No final, Gerald disse: ‘É como uma conferência normal no Canadá ou nos Estados Unidos. Pessoas do Canadá ou de qualquer estado dos Estados Unidos se sentiriam à vontade aqui na Rússia,’” disse Donnelly.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): Homeschooling now booming – in Russia!
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04 outubro, 2016

Conferência mundial de educação em casa na Rússia


Conferência mundial de educação em casa na Rússia

Mike Donnelly
Comentário de Julio Severo: A Associação de Defesa Legal da Educação em Casa, a maior organização de educação em casa do mundo, estará realizando uma conferência mundial de educação em casa na Rússia em 2018. Nos tempos soviéticos, a educação escolar em casa era não só impossível na Rússia, mas cruelmente punida. A educação em casa continua banida em nações comunistas. De fato, está sob perseguição até mesmo na Europa não-comunista. Mas na Rússia de hoje a educação em casa é permitida. Aliás, a CBN, rede de televisão presidida por Pat Robertson, disse que a Rússia é agora um refúgio de homeschooling! A liberdade de educar em casa é um indicador poderoso de fortes valores pró-família. Leia a seguinte reportagem escrita pelo Dr. Donnelly, que está ajudando a organizar o maior evento de homeschooling do mundo na Rússia:
Em 1984 a Guerra Fria — como conflito entre as forças globais da democracia, representada pelos Estados Unidos e a OTAN, e do comunismo, representado pela União Soviética e o Pacto de Varsóvia — era uma compreensão fundamental da política global. Como jovem soldado na época e então mais tarde um oficial, fui treinado para fazer face à imensa força militar da União Soviética no campo de batalha da Europa. Durante a Operação Tempestade do Deserto, comandei um pelotão com tanques contra o Exército do Iraque que estava equipado com armamento soviético e operava sob táticas soviéticas de batalha.

Controle Estatal

Durante sua longa história, a URSS parecia uma força de domínio mundial para o comunismo — um sistema que era baseado em controle estatal total da maioria das áreas da vida comum. Trinta anos atrás ninguém teria imaginado que a educação em casa chegaria a ser possível um dia, sem mencionar legalizada, na URSS. O sistema educacional sob o comunismo era baseado numa ideologia totalitária.
Em 1919 Nikolai Bukharin, um os revolucionários bolcheviques, disse que a “missão das novas escolas comunistas era impor uma mentalidade proletária nas crianças da classe média… é a missão da nova escola treinar uma geração de crianças cuja ideologia será profundamente enraizada no solo da nova sociedade comunista.”
Em 1955 Nicholas DeWitt da Fundação Nacional de Ciência escreveu: “O sistema educacional não é construído em torno do indivíduo, mas em torno do Estado, ao se identificar com a busca do bem comum, tentativas de submissão implacável do indivíduo — seus direitos, gostos, escolhas, privilégios e seu treinamento — às próprias necessidades do Estado.”

Mudanças Bem-Vindas

A histórica e cultura russa tradicional colocam um valor elevado na família e educação. É emocionante ver que 70 anos de comunismo não puderam apagar totalmente esses valores culturais. Depois da queda da União Soviética em 1991, alguns russos criticaram que as mudanças feitas no seu sistema educacional o tornaram ocidental demais. Contudo, a legalização da educação em casa na Rússia é um acontecimento positivo. A educação da família, como é conhecida a educação em casa na Federação Russa, está crescendo. Como muitos países com movimentos nascentes de educação em casa, a comunidade de educação em casa na Rússia se parece com o pequeno movimento que começou nos Estados Unidos cerca de 40 anos atrás.
Os defensores da educação em casa na Rússia são encorajados pelo interesse crescente, e a Rússia foi escolhida como próximo país para uma Conferência Mundial de Educação em Casa. A GHEC2018 será realizada em Moscou e São Petersburgo durante a semana de 21-25 de maio de 2018. A conferência reunirá pesquisadores, especialistas de políticas públicas, pais e organizações com o propósito de apoiar a comunidade russa de educação em casa e fornecer uma plataforma para avançar os direitos das famílias escolherem a educação em casa.

Assumindo a Liderança

A política da Rússia em favor da educação em casa é um exemplo positivo no continente eurasiano onde muitas comunidades de educação em casa estão apenas começando. A política russa está em contraste forte com a política de outros países da Europa Ocidental, como Alemanha e Suécia, que não toleram a educação em casa.
A GHEC2018 oferecerá uma experiência exclusiva aos participantes de visitar as cidades históricas de Moscou e São Petersburgo, para interagir com líderes mundiais, para incentivar e apoiar uma comunidade crescente de educação em casa na Rússia e para continuar nossa defesa dos direitos dos pais e crianças escolherem o tipo de educação que eles querem experimentar. Os organizadores continuam a apoiar a visão original das conferências mundiais de que a educação em casa tem de ser uma escolha para todas as famílias em todos os lugares — independente de sua motivação ou metodologia.
Para se manter informado da conferência, convidamos você para fazer sua assinatura de atualizações de email especificamente sobre a GHEC 2018 em: www.ghec2018.org
Traduzido por Julio Severo do original em inglês da Associação de Defesa Legal da Educação em Casa: GHEC 2018—Russia
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21 agosto, 2016

Esta família negra de gênios destaca os benefícios da educação escolar em casa


Esta família negra de gênios destaca os benefícios da educação escolar em casa

Ricky Riley
Uma família de muitos talentos conquistou a cidade de Boca Raton, Flórida, EUA, com suas incríveis realizações acadêmicas.
A família de 11 inclui duas filhas adolescentes que obtiveram diploma universitário com mestrado e uma mãe que é arquiteta e jurista.
Num perfil de 30 de julho, a família Bush revela seu segredo do sucesso — a educação escolar em casa [do original em inglês homeschooling].
Os filhos foram educados em casa e foram imersos nas artes e ciência desde que eram muito novos.
Gabrielle Bush disse no programa TODAY do canal de TV NBC que ela quer que todos tenham acesso a tratamento médico. Com apenas 19 anos, a moça está trabalhando na área que ela escolheu depois de obter dois diplomas.
Contudo, sua irmã pode tê-la ultrapassado.
Grace Bush, de 18 anos, se formou na universidade com 16 anos e obteve mestrado aos 18. Ela espera ser juiz do Supremo Tribunal dos EUA.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): This Black ‘Family of Geniuses’ Show off Benefits of Homeschooling
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31 maio, 2016

Oito razões por que você deveria considerar a educação escolar em casa


Oito razões por que você deveria considerar a educação escolar em casa

Edward B. Driscoll, Jr.
O homeschooling (educação escolar em casa) alcançou um marco histórico na Carolina do Norte no ano escolar 2014-15. Com a matrícula chegando ao auge de 100 mil estudantes, a Carolina do Norte tem agora mais estudantes em casa do que estudantes em escolas particulares.
Essa tendência não está limitada à Carolina do Norte. Um estudo recente na Flórida identificou um crescimento de homeschooling ali em cerca de 10 por cento, e o Instituto Nacional de Pesquisa da Educação em Casa estima-o entre 2 e 8 por cento nos em nível nacional Estados Unidos. “Não é mais um movimento periférico; o homeschooling é uma tendência predominante na sociedade americana,” disse Terry Stoops da Fundação John Locke com sede na Carolina da Norte.
As razões para essa tendência de homeschooling abundam, de acordo com o e-book “Homeschooling: Fighting for My Children’s Future” (Homeschooling: Lutando pelo Futuro dos Meus Filhos), uma coleção de 26 artigos das páginas da PJ Media. Aqui estão oito deles, junto com trechos do livro, para que todos os pais considerem enquanto pesam a melhor forma de educar seus filhos:
1.       Os pais ensinam os valores, não o Estado: Isso significa nenhuma aula de motivação política sobre “casamento” homossexual ou alarmismo sobre aquecimento global. A educação é focada no essencial: leitura, escrita, matemática, ciência e história. E valores bíblicos são abraçados, não zombados.
2.       Aprendizado prático é incentivado: A educação formal não tem de ser limitada a um livro escolar. Os estudantes de homeschooling têm a liberdade de aprender praticando. Às vezes isso chega a envolver incêndio e explosões, pois não deve haver limitações dentro de um ambiente escolar. Paula Bolyard acha que a nova geração de cientistas e inventores incluirá muita gente que foi educada em casa. “Eles não estão acostumados a ouvir: ‘Você não tem permissão de fazer isso — pode ser perigoso!’” ela disse.
3.       A educação não está amarrada a um horário programado: Os pais não precisam isentar seus filhos da escola por nenhuma razão. Eles são livres para adaptar os horários às necessidades da família ou até mesmo a uma ideia excêntrica. “A educação escolar em casa pode ir com você onde quer que você ande,” disse Megan Fox. “É uma coisa bela.”
4.       As aulas não são segregadas por idade: Diferente da maioria das escolas públicas e privadas, os estudantes de homeschooling interagem com pessoas de todas as idades, inclusive adultos. Eles não passam seis horas por dia confinados numa sala com 30 colegas da mesma idade. Isso ajuda a prepará-los para a faculdade e o ambiente de trabalho.
5.       Os pais escolhem o currículo: uma das queixas comuns dos professores é que eles não têm autoridade suficiente sobre o que ensinar ou como ensiná-lo. Os burocratas da educação estabelecem as normas; os professores as seguem. Os pais que ensinam seus filhos em casa podem mudar a direção a qualquer momento que as necessidades de uma criança específica justificarem.
6.       Bullying não é permitido: Rivalidade entre irmãos pode levar a um conflito ocasional, mas os pais estão ali para intervir quando ocorre. O bullying na escola muitas vezes não é percebido ou punido — e às vezes leva ao suicídio. O bullying cibernético vem amplificando o problema. Se seu filho está sofrendo bullying na escola, o homeschooling é uma alternativa viável e mais segura.
7.       O homeschooling melhora a dinâmica da família: As crianças não ficam mal-humoradas e exaustas por chegarem em casa depois de serem forçadas a ficar sentadas paradas numa mesa a maior parte do dia. Elas “são mais influenciadas por seus pais do que por seus coleguinhas. Daí, é natural elas gostarem de estar juntas, mesmo na adolescência,” disse Fox.
8.       Os estudantes de homeschooling destacam-se na educação e vida cívica: Eles alcançam pontuações altas em provas padrões. Três quartos deles vão à universidade. E eles se envolvem mais em suas comunidades e têm mais probabilidade de votar.
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): 8 reasons you should consider homeschooling
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17 fevereiro, 2016

Homeschooling no Brasil: para onde está indo?


Homeschooling no Brasil: para onde está indo?

Tendências religiosas e desvios esotéricos

Julio Severo
Um proeminente blog presbiteriano publicou, em 5 de fevereiro de 2016 um artigo (veja: http://archive.is/kshbt) sobre tendências de homeschooling (educação escolar em casa) no Brasil. Ainda que eu discorde deles em questões conservadoras (eles se consideram conservadores, mas sua Universidade Presbiteriana Mackenzie, a maior universidade protestante do Brasil, contrata professores pró-aborto e marxistas), eles foram honestos o suficiente para me mencionar como um dos exemplos mais conhecidos de homeschooling no Brasil. Outros nomes ligados ao homeschooling mencionados, Josué Bueno e Cleber Nunes, foram também notícia em dois artigos escritos por mim em 2008. Esses artigos viraram manchetes internacionais:
Solano Portela, o autor do artigo presbiteriano sobre homeschooling, não teve dificuldade de coletar nomes e casos de homeschooling no Brasil, pois eles são facilmente disponíveis numa mera pesquisa do Google, a qual geralmente dá como resultados meu nome e outros nomes.
Entretanto, de acordo com a ANED, um novo grupo que afirma ser proeminente no movimento de homeschooling no Brasil, só a ANED e seus membros merecem notabilidade no homeschooling brasileiro. O Dr. Alexandre Magno, o advogado da ANED, disse em sua página de Facebook no início de fevereiro:
“A educação domiciliar brasileira saiu da quase completa obscuridade há poucos anos para uma aceitação social praticamente unânime. Os grandes responsáveis por isso foram Rick Dias, presidente da Aned, e o casal Camila Hochmüller Abadie e Gustavo Abadie, do site Encontrando Alegria. A contribuição que essas três pessoas fizeram pela educação brasileira nunca pode ser subestimada.”
A essa declaração exagerada, minha resposta pública foi: “Alexandre, se obscuridade é ser foco de uma longa e importante reportagem da revista Veja, então não sei o que é obscuridade. Em 2001, o Pr. Rinaldo Belisario foi, juntamente com outras famílias, entrevistado pela Veja e também por várias emissoras de TV. Assunto: homeschooling. Isso não se parece com obscuridade.”
A experiência de homeschooling de Gustavo Abadie soma poucos anos, enquanto a experiência de homeschooling do Pr. Belisário equivale a mais de 18 anos. Além disso, Abadie era um pastor evangélico que, com sua esposa, escolheu se converter oficialmente para o catolicismo em 2014.
Muitos jovens evangélicos brasileiros têm passado por um processo de conversão “católica” depois de estudarem um curso de filosofia do filósofo Olavo de Carvalho, que tem vários livros publicados sobre astrologia (ocultismo) no Brasil. Eles começam o curso buscando uma postura antimarxista sólida e terminam como “católicos.” No caso de Abadie, não foi diferente: Antes de sua conversão, ele e sua esposa estavam frequentando “aulas de filosofia” de Carvalho.
Em outubro de 2013, quando Carvalho começou a me difamar porque discordei de sua manada pró-Inquisição, Abadie criticou em seu Facebook um homem que teria difamado Carvalho e imediatamente acrescentou que sua crítica era válida também para mim. Abadie disse:
“Um homem que se diz cristão e chamava até pouco tempo outro de seu amigo, agora quando o xinga de pústula e hipócrita, com certeza não é um cristão piedoso, mas assemelha-se a um rato do esgoto mais imundo.”
Alguém então lhe perguntou se ele estava se referindo a Julio Severo. A isso Abadie respondeu em seu Facebook: “Não é, originalmente, mas cabe-lhe o chapéu.” (Uma cópia desse post de Facebook foi salva para documentação.)
Depois de seu comentário grosseiro contra mim, ele desfez sua amizade comigo no Facebook. Eu nunca o havia difamado ou xingado. Pelo contrário, antes de sua conversão, eu havia publicado dois artigos em 2012 escritos pelo então pastor evangélico Gustavo Abadie contra o marxismo.
Ao que tudo indica, ele achou que a questão entre mim e Carvalho sobre a Inquisição me qualifica como “rato do esgoto mais imundo,” só porque discordei de seu “mestre” — adeptos e seguidores de Carvalho geralmente o chamam de “mestre.” Uma transformação muito grande: um alegado pastor evangélico tomando o lado de um católico radical que, com uma linguagem muito suja, habitualmente defende a Inquisição e habitualmente difama os dissidentes. É de admirar que num tempo muito curto ele tenha se convertido?
No entanto, apesar de tal incivilidade, Alexandre Magno e sua ANED insistem em que o homeschooling no Brasil era “obscuro,” mas que um ex-pastor evangélico e hoje militante católico o tornou famoso. Se isso não é grosseiramente exagerado, então o que é? Se não é auto-bajulação, então ao que é?
Uma pesquisa no Google sobre “Gustave Abadie” dá não mais de 3 mil resultados. Veja: http://archive.is/w9whV (Nesses resultados, a única posição mais visível de homeschooling para ele é seu papel como palestrante na “Global Home Education Conference 2016,” que é um evento proeminente por causa de seu patrocinador, a Associação de Defesa Legal da Educação em Casa [Home School Legal Defense Association].)
Meu nome, que na avaliação de Magno seria “obscuro,” dá mais de 200 mil resultados.
A conta de Twitter de Abadie tem 114 seguidores (veja: http://archive.is/wQNdz). A minha, que seria “obscura,” tem mais de 10 mil seguidores (veja: https://twitter.com/juliosevero).
É com essa real obscuridade que Abadie tem sido empurrado para uma proeminência acima de pioneiros de homeschooling no Brasil.
O que inspiraria Magno a apresentar de forma inapropriada a realidade brasileira? Dias atrás ele disse em sua página de Facebook:
“Uma vez fui acusado de ser, como aluno do COF, influenciado pelo Olavo de Carvalho. Confesso que chegou a ser engraçado: que raio de professor de filosofia seria ele se não influenciasse (mais exatamente, ensinasse) seus alunos? E aí chamam de culto um curso onde um professor ensina e os alunos aprendem. Na cabeça de alguns, o contrário deveria ser o normal...”
Minha resposta pública:
Sobre culto, isso procederia se Olavo tivesse experiência e conexão com seitas. Espere — ele tem vários livros sobre astrologia (ocultismo). Ele foi o principal responsável pela propaganda e visibilidade no Brasil de René Guénon, um bruxo islâmico. Depois desse envolvimento pesado com o ocultismo, ele opta pela filosofia. Mas dá para separar o ocultista do filósofo? Tive uma experiência em 2013, onde de forma educada e discreta critiquei a Inquisição DEPOIS que pessoas ligadas ao Olavo começaram a defender essa máquina assassina, inclusive dizendo que nós evangélicos somos os cátaros modernos (para quem se lembra da história, os cátaros foram dizimados pela Inquisição). A resposta do Olavo, e seus alunos pró-Inquisição, foi fazer chover sobre mim fogo e fezes: xingando, difamando, etc. Bastava o Olavo postar um comentário ofensivo contra mim exclusivamente porque eu tinha opinião diferente, e seus seguidores curtiam à vontade. Experimentei então perguntar a alguns dos curtidores porque curtir um comentário ofensivo: a pessoa caiu em si, me pediu desculpas e disse que estava acostumava a curtir os posts do Olavo apenas por curtir… Isso é mentalidade de manada, típico de seita. Se não fosse o passado ocultista do Olavo, pensaríamos que tudo isso é mera coincidência. Mas o passado e o presente fazem parte de um quebra cabeça, onde tudo se encaixa. Por falar em Inquisição, o Dr. Michael Farris, que é o fundador da Home School Legal Defense Association, tem um livro que ataca a Inquisição. Eu sinceramente gostaria de ver o Olavo e sua manada irracional atacarem o Dr. Farris. Traduzi alguns trechos do livro do Farris, que se encontram aqui: http://juliosevero.blogspot.com/2016/01/ignorancia-da-biblia-corrupcao-do-clero.html
Anos atrás, um líder pró-família se encontrou com Magno, que prontamente disse que ele e todos os ativistas da ANED eram estudantes no curso de filosofia de Carvalho, onde a discordância não é tolerada, mas incentiva-se a difamação e ridicularização de opiniões diferentes.
Quando contestado em questões como a Inquisição, que ele publicamente diz é uma invenção de evangélicos dos EUA, Carvalho tipicamente ridiculariza e difama os discordantes, chamando-os de nomes obscenos. Magno tem publicamente “curtido” os comentários ofensivos de Carvalho no Facebook contra mim com relação à Inquisição. (Uma cópia desses posts de Facebook foi salva para documentação.)
Atitudes submissas e não-discordantes são marca registrada de seitas e fanatismo sectário e levam a conversões.
Tais conversões podem levar as vítimas a qualquer “paraíso” religiosa e politicamente correto escolhido pelo proselitista. Se ao estudar tão chamados “cursos de filosofia,” estudantes ou discípulos podem ser conduzidos ao catolicismo, e se o professor de filosofia (ou “mestre”) os conduzir ao ocultista islâmico René Guénon e outros feiticeiros?
Posso conviver com católicos em uniões pró-vida e pró-família. Aliás, tenho convivido com tais bons católicos por 30 anos, e nenhum deles estava envolvido na causa de defender ou desculpar a Inquisição. Eles estavam — inclusive meu bom amigo falecido Pe. Paul Marx — envolvidos em causas pró-vida. Mas agora, há indivíduos de boca suja que se autodeclaram pró-vida, mas que defendem a Inquisição e difamam os discordantes. Será que uma união à custa da civilidade pode prognosticar harmonia, especialmente ao desculpar a Inquisição, que mal dá para dizer que era uma instituição pró-vida? Será que tal união, sob a influência “filosófica” de um proselitista, pode promover um movimento de homeschooling saudável?
Obliterar grandes reportagens sobre homeschooling (a proeminente reportagem da revista Veja de 2001 é um exemplo) como “obscuras” porque não se encaixam na agenda de um grupo não é homeschooling real.
Empurrar, exaltar e fazer propaganda de indivíduos de um grupo acima de pessoas mais experientes que estão fora desse grupo não é ético, especialmente porque a “Global Home Education Conference 2016,” a ser realizado no Brasil em março de 2016 e em grande parte financiado pela Associação de Defesa Legal da Educação em Casa, deveria ser representada pelos melhores e mais originais líderes de homeschooling do Brasil. Mas isso não está acontecendo.
Ignorar e tratar como “obscuro” o Rev. Rinaldo Belisario e sua experiência de homeschooling (ele agora tem quatro filhos adultos educados em casa) para dar preferência a um ex-pastor evangélico que tem mínima experiência de homeschooling não é correto.
Se você pode ser proeminente e sair da “obscuridade” só se juntando a um grupo onde todos são basicamente influenciados por uma filosofia proselitista e você pode se tornar um católico ou esotérico ou católico esotérico, então isso não é homeschooling saudável. Isso se assemelha a uma seita.
Nesse sentido, não sei para onde o homeschooling brasileiro está se dirigindo, e estou preocupado com suas tendências religiosas e desvios esotéricos. Estou também preocupado com o modo como a “Global Home Education Conference 2016” pode dar poder e empurrar para a proeminência indivíduos brasileiros que, para avançar sua seita “filosófica,” querem tornar as experiências pioneiras e originais de homeschooling no Brasil tão obscuras quanto possíveis.
Versão em inglês deste artigo: Homeschooling in Brazil: Where Is it Headed?
Leitura recomendada sobre homeschooling:
Leitura recomendada sobre a Inquisição: