26 dezembro, 2008

Apesar de evidência de sucesso, tribunal condena família que educa filhos em casa

Apesar de evidência de sucesso, tribunal condena família que educa filhos em casa

Tribunal recusa examinar notas dos testes e relatórios psicológicos que provam a eficácia da educação escolar em casa

Matthew Cullinan Hoffman

MINAS GERAIS, BRASIL, 23 de dezembro de 2008 (LifeSiteNews.com) — Cleber e Bernadeth Nunes foram condenados por um segundo tribunal civil por educarem seus filhos em casa, apesar de eles terem passado em testes impostos pelo governo que os professores confessaram que eles mesmos não conseguiriam passar.

Uma turma de três juízes no tribunal de segunda instância recusou até mesmo examinar os resultados dos testes, onde os dois filhos de Cleber foram aprovados. Essa série de testes foi muito rigorosa, abrangendo várias matérias, inclusive matemática, geografia, ciência, história, português, inglês, arte e educação física.

“Não podemos permitir a análise aqui da qualidade da educação que está sendo dada em casa, pois a educação escolar em casa jamais poderá substituir a instrução normal”, disse o juiz Almeida Diniz, que fez parte da turma. Os testes foram feitos por ordem de um juiz criminal que está julgando o mesmo caso em seu próprio tribunal.

O tribunal civil também recusou receber como evidência uma avaliação que mostrava que os filhos são psicologicamente saudáveis, têm um bom relacionamento com seus pais e têm amizades fora do lar. Ambos os testes foram feitos por ordem de um tribunal criminal que está também julgando o caso dos Nunes.

Apesar de os testes nacionais mostrarem resultados horríveis do sistema brasileiro de educação pública, um dos três juízes afirmou em seu veredicto escrito que “a qualidade de nossa educação é inegável. Se compararmos, por exemplo, os cidadãos brasileiros normais com os cidadãos norte-americanos normais, a conclusão é devastadora. Os norte-americanos sabem pouco… em comparação com os brasileiros. Nosso sistema escolar é, ao contrário, muito bom em comparação com outros países”.

João Senna dos Reis, colunista do jornal Diário do Aço, fez pouco caso da declaração, observando que “uma simples verificação oficial de que 70% dos brasileiros não sabem ler e interpretar cinco linhas de texto banal representa uma confissão chocante de como está indo nosso sistema educacional”.

“Em algum ponto os magistrados tiveram de agir em má consciência antes de invocarem absurdos como vender a imagem falsa de que temos um sistema educacional no mesmo nível dos países do primeiro mundo”, acrescentou ele. “Como estamos em dezembro e todo tipo de lista de eventos notáveis começa a aparecer, não será surpresa se este tribunal for colocado na categoria da melhor piada do ano”.

Cleber Nunes disse para LifeSiteNews que ele planeja apelar o caso para o Superior Tribunal de Justiça, e se necessário ele apelará o caso para o Supremo Tribunal de Justiça.

“Penso que o tribunal não quis nem mesmo examinar o caso porque não quer mais famílias educando os filhos em casa”, disse Nunes para LifeSiteNews.

“Estava claro que os meninos estão indo bem, que não há abandono intelectual, mas as autoridades continuam defendendo sua posição, defendendo a lei e esquecendo que o foco da lei é as crianças”, disse ele.

Para ler mais sobre o caso da família Nunes em LifeSiteNews, veja:

Adolescentes que estudam em casa alcançam vitória surpresa em confronto com o governo

Casal que ensina em casa poderá ser preso se seus filhos falharem em duros testes governamentais

Confronto contra a educação escolar em casa: crianças deverão ser testadas por tribunal em batalha sobre os direitos educacionais dos pais

Governo brasileiro entra com ações criminais contra família que educa em casa e ameaça tomar os filhos

Tradução e adaptação de Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: LifeSiteNews

Para saber mais sobre a educação escolar em casa, clique aqui.

4 comentários:

Ariany (Dhanna) disse...

Esse caso me deixa um tanto perplexa e chateada. Como pode um julgamento desses proceder? A não avaliação das provas é privar o casal de seus direitos!

Criei uma comunidade no orkut para falarmos sobre esse assunto e convido a todos, inclusive ao escritor Julio Severo à participar!

Peço licença para utilizar um trecho de um textos eu para a abertura da comunidade.

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=79708701&refresh=1

Raquel Braga disse...

Sabem em que pé anda o caso dessa família? Pois depois que saíram da mídia fiquei sem saber o aconteceu...
Obrigada!
Raquel

Anônimo disse...

Não seria este o caso de nós cristãos nos preocuparmos em criar escolas legalizadas, mas onde poderíamos ensinar com um diálogo em classe abordando bases cristãs?
Eu ainda não tenho filhos, mas já estou estudando sobre abertura de escolas reconhecidas pelo MEC, única forma "legal" de se educar um filho.

Percebo quanto a igreja deixa de investir na arte e cultura dos seus pequenos, porque afinal de contas é um trabalho de anos a fio, e aparentemente sem lucro.
Quanta mediocridade!
A culpa é nossa, porque se ninguém faz, não caberia a nós cobrar e não havendo resposta colocarmos nós mesmos a mão na massa?

Marcelo disse...

Quem interessar enviar e-mail aos deputados da comissão de educação a lista é essa:

dep.alexcanziani@camara.gov.br, dep.angelovanhoni@camara.gov.br, dep.antoniocarlosbiffi@camara.gov.br, dep.belmesquita@camara.gov.br, dep.carlosabicalil@camara.gov.br, dep.fatimabezerra@camara.gov.br, dep.iranbarbosa@camara.gov.br, dep.joaomatos@camara.gov.br, dep.joaquimbeltrao@camara.gov.br, dep.josephbandeira@camara.gov.br, dep.lelocoimbra@camara.gov.br, dep.mariadorosario@camara.gov.br, dep.neiltonmulim@camara.gov.br, dep.neiltonmulim@camara.gov.br, dep.osvaldobiolchi@camara.gov.br, dep.professorsetimo@camara.gov.br, dep.raulhenry@camara.gov.br, dep.reginaldolopes@camara.gov.br, dep.clovisfecury@camara.gov.br, dep.jorginhomaluly@camara.gov.br, dep.lobbeneto@camara.gov.br, dep.nilmarruiz@camara.gov.br, dep.pintoitamaraty@camara.gov.br, dep.rogeriomarinho@camara.gov.br, dep.aliceportugal@camara.gov.br, dep.ariostoholanda@camara.gov.br, dep.atilalira@camara.gov.br, dep.paulorubemsantiago@camara.gov.br, dep.wilsonpicler@camara.gov.br, dep.marcosantonio@camara.gov.br