03 março, 2009

Contradições da psicologia evangélica

Contradições da psicologia evangélica

Julio Severo

Em 21 de fevereiro de 2009, durante o evento da VINACC em Campina Grande, na Paraíba, pude participar do programa de rádio da VINACC em que no debate ao vivo entrou o assunto da desordem e falta de autoridade que há hoje nas escolas. Muitos alunos só querem bagunçar e o professor se sente impotente nessa zona de guerra. Atribuí esse clima caótico ao excesso de intervenção estatal. Declarei que no passado, as crianças iam para a escola para aprender e a autoridade do pai era inquestionável e suficiente para impor ordem e respeito. Bagunça em casa ou na escola? Nem pensar! A desobediência e a irresponsabilidade eram tratadas eficazmente na vara de marmelo.

Hoje, com políticas intervencionistas que transformam pais em meros escravos dos caprichos estatais diante do mau comportamento dos filhos, as escolas se tornaram zoológicos sem jaulas, uma terra sem lei, onde a autoridade maior é o direito de “livre expressão” das crianças. Ali, é proibido proibir — a não ser que o assunto seja devolver aos pais o direito de aplicar uma boa disciplina física para eliminar a bagunça e trazer a ordem.

O mais notável é que durante o debate de rádio da VINACC, uma conhecida psicóloga evangélica deu sua opinião, declarando que crianças problemáticas na escola — que desafiam a autoridade — devem ser encaminhadas a psicólogos e psiquiatras. Por que não encaminhá-las a pastores? Dar ao público da rádio a sugestão de encaminhar crianças a psicólogos e psiquiatras é convidar, em grande parte, novos problemas ao cenário, pois a perspectiva de psicólogos e psiquiatras é muitas vezes contrária aos valores cristãos.

Como exemplo, uso a própria psicóloga que deu essa sugestão impensada. Por defender a reorientação de homossexuais, ela vem sofrendo perseguição do Conselho Federal de Psicologia (CFP). Isto é, o CFP, que representa a vontade da maioria dos psicólogos do Brasil, não concorda e não aceita que ela ajude um homem a sair do homossexualismo. O CFP tem outras posições radicais que são hostis ao Cristianismo e ao próprio bom senso.

Essa psicóloga sabe que se ela própria fosse encaminhada a outro psicólogo ou psiquiatra para uma avaliação de suas questões, ela seria vítima de preconceito de sua própria classe. Mesmo assim, ela não teve receio de recomendar o encaminhamento de crianças a esses profissionais do preconceito anticristão. Ela própria não quer ser jogada à cova dos leões, mas atira ali alunos e seus pais, como se um psicólogo ou psiquiatra possuísse poderes divinos, acima de todos os outros seres humanos, para identificar e apontar soluções miraculosas para as questões humanas.

Nessa contradição, quem acaba sofrendo são os inocentes.

E se, seguindo o conselho da psicóloga evangélica, crianças com dilemas sexuais ou comportamentais forem encaminhadas a um psicólogo ou psiquiatra pró-homossexualismo? Em análise final, o conselho da psicóloga evangélica acaba contribuindo para jogar os inocentes diretamente nos braços de profissionais do preconceito anticristão e anti-família natural.

Talvez a preocupação da psicóloga evangélica fosse a detecção de abusos sexuais. Esses crimes realmente ocorrem, e uma das melhores soluções seria o Estado aplicar pena capital nos estupradores. Mas os abusos sexuais não ocorrem na maioria das famílias e não podem ser usados como desculpa para um intervencionismo estatal absoluto em tudo e em todos.

Portanto, encaminhar automaticamente crianças a psicólogos a fim de se detectar possível abuso é expô-las ao abuso estatal que hoje condena os valores morais contrários ao homossexualismo e outras perversões sexuais. Ao se deparar com uma criança cristã que tem esses valores, o psicólogo humanista a classificará como vítima dos “valores preconceituosos dos pais”, requerendo tratamento e reorientação.

Assim, onde não houver abusos, o psicólogo se encarregará de cometê-los, em nome de ideologias politicamente corretas. Durante a avaliação de uma criança por um psicólogo humanista, o pai ou mãe que for descoberto ensinando os filhos sobre a intrínseca perversão dos atos homossexuais será rotulado de “homófobo” e, se aprovadas leis anti-“homofobia”, será denunciado por abuso psicológico aos órgãos estatais. Durante a avaliação de uma criança por um psicólogo humanista, o pai ou mãe que for descoberto fazendo uso da vara da disciplina nos filhos será denunciado por abuso físico aos órgãos estatais.

É claro que uma minoria de psicólogos é cristã. Mas mesmo entre estes, há muita confusão e pouco consenso na Palavra de Deus. E entre os que parecem ter consenso cristão, há contradições. Raríssima exceção é o Dr. James Dobson, que acertadamente defende o uso da disciplina física nos filhos e se opõe ao doutrinamento homossexual das crianças nas escolas.

Psicólogos humanistas parecem ser mais coerentes, pois jamais encaminham crianças e seus pais a pastores ou padres. Contudo, psicólogos cristãos que encaminham crianças e seus pais a outros psicólogos servem, conscientemente ou não, como idiotas úteis de um sistema de valores que desorienta espiritualmente, reorientando-os a uma vida onde o centro de tudo é o próprio homem, não Deus.

A psicóloga evangélica veria como extrema crueldade e desumanidade a sugestão de que ela mesma deveria ser encaminhada para uma avaliação de seus colegas profissionais. Mas o que ela não quer para si, ela recomenda para as crianças e seus pais: que eles sejam encaminhados para os que a perseguem! É de admirar então que ela seja defensora do ECA, o maior documento anti-família do Brasil?

Não é hora de repensar as contradições dos psicólogos evangélicos e a idolatria que a igreja vem prestando no altar da psicologia?

Fonte: www.juliosevero.com

Leia mais:

Psicólogos do Brasil são proibidos de ajudar a Igreja Católica a filtrar candidatos homossexuais do sacerdócio

Auto-Estima Para Cristãos?

Distorções e abusos do Estado voraz gerando caos às famílias

Estatuto da Criança e do Adolescente

12 fevereiro, 2009

A ameaça da ONU: A destruição dos direitos dos pais

A ameaça da ONU: A destruição dos direitos dos pais

Especialista alerta: Tratado da ONU proibirá disciplina física e educação escolar em casa se filhos objetarem

Chelsea Schilling

© 2009 WorldNetDaily

De acordo com um especialista legal, os Estados Unidos estão sob a ameaça direta de um tratado de direitos humanos da ONU que proibirá os filhos de serem disciplinados fisicamente ou de receberem educação escolar em casa, impedirá assassinos menores de idade de enfrentarem a pena de morte e proibirá os pais de decidir a religião de suas famílias.

O especialista em questão é o Dr. Michael Farris, presidente da entidade Direitos dos Pais (www.parentalrights.org), presidente da Associação de Defesa Legal da Educação Escolar em Casa e presidente da Faculdade Patrick Henry. Ele disse para WND que sob a Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, ou CDC, toda decisão que os pais tomarem poderá ser examinada pelo governo para determinar se está de acordo com os melhores interesses da criança.

“Não há dúvida alguma de que esse tratado está prestes a ser ratificado”, disse ele. “A esquerda quer tornar a era Obama-Clinton permanente. Tratados são um jeito de torná-la tão permanente quanto for possível. É muito difícil escapar de um tratado depois que é ratificado e entra em vigor. Se Obama e Clinton conseguirem colocar todas as suas políticas socialistas em forma de tratados, ficaremos presos a eles mesmo que Obama perca a próxima eleição”.

O documento da época de 1990 foi ratificado rapidamente por 193 países do mundo, mas não os Estados Unidos ou a Somália. Na Somália, não havia então nenhum governo reconhecido para fazer o reconhecimento formal, e nos Estados Unidos tem havido oposição. Os países que ratificam o tratado têm, pelas leis internacionais, a obrigação de cumpri-lo.

Embora Madeleine Albright, a embaixadora do governo de Bill Clinton na ONU, tenha assinado a CDC em 16 de fevereiro de 1995, o Senado dos EUA nunca a ratificou, em grande parte por causa das campanhas dos conservadores que alertavam que a CDC criaria uma lista de direitos que principalmente seriam implementados contra os pais.

O tratado internacional cria direitos civis, econômicos, sociais e culturais específicos para todas as crianças e declara que “os melhores interesses da criança receberão consideração prioritária”. Quem fará a monitoração desses direitos é a CDC, que tem poderes para forçar os países signatários a obedecer.

De acordo com o site Direitos dos Pais, a essência da CDC dita o seguinte:

* Os pais não mais poderão administrar disciplina física em seus filhos.

* Um assassino de 17 anos, 11 meses e 29 dias no momento do seu crime não mais poderá ser sentenciado à prisão perpétua.

* As crianças terão o direito de escolher sua própria religião e a única autoridade dos pais será aconselhar seus filhos sobre religião.

* O princípio dos melhores interesses da criança dará ao governo a autoridade de prevalecer sobre toda decisão feita pelos pais se um funcionário do governo discordar da decisão dos pais.

* O “direito de a criança ser ouvida” permitirá que um funcionário do governo busque avaliação governamental para todas as decisões dos pais com as quais a criança discordar.

* De acordo com a interpretação existente, será ilegal um país gastar mais na defesa nacional do que gasta no bem-estar das crianças.

* As crianças adquirirão um direito ao lazer que será implementado com a força da lei [se a criança quiser assistir a um filme no cinema do qual os pais discordem, a lei prevalecerá sobre a vontade dos pais].

* Ensinar crianças sobre o Cristianismo nas escolas é considerado violação às normas da CDC.

* Permitir que pais removam seus filhos de aulas de educação sexual é considerado violação às normas da CDC.

* Crianças terão o direito a informações e serviços de saúde reprodutiva, inclusive abortos, sem o conhecimento ou consentimento dos pais.

“Onde a criança tem um direito cumprido pelo governo, as responsabilidades mudam dos pais para o governo”, disse Farris. “As implicações de toda essa mudança de responsabilidades é que os pais não mais têm os papeis tradicionais de serem responsáveis pelos seus filhos ou terem o direito de dirigirem seus filhos”.

O governo decidirá o que está nos melhores interesses das crianças em caso por caso, e a CDC será considerada superior às leis de cada estado, disse Farris. Os pais poderão ser tratados como criminosos por tomarem decisões do dia-a-dia acerca da vida de seus filhos.

“Se você acha que seu filho não deve ir para a festa de formatura porque suas notas estão baixas, a Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança dá poder ao governo para examinar sua decisão e decidir se acha que está nos melhores interesses do seu filho”, disse ele. “Se você pensa que seus filhos são novos demais para ter uma conta no Facebook [semelhante ao Orkut], a ONU chega para determinar se ou não sua decisão está nos melhores interesses da criança, levando em consideração que sua decisão interfere com o direito de comunicação das crianças”.

Ele continuou: “Se você pensa que seu filho deve ir para a igreja três vezes por semana, mas a criança quer ir à igreja só uma vez por semana, o governo chega para decidir o que pensa que está nos melhores interesses das crianças acerca da freqüência à igreja”.

Ele disse que os assistentes sociais dos EUA serão os responsáveis pela implementação das políticas.

Farris disse que poderá ser mais fácil o presidente Obama pressionar em favor da ratificação do tratado do que foi durante o governo de Clinton, pois “o mundo político mudou”.

Num debate presidencial na Universidade Walden em outubro passado, Obama indicou que ele poderá agir.

“É vergonhoso nos encontrarmos na companhia da Somalia, uma terra sem lei”, Obama disse. “Eu analisarei esse e outros tratados para garantir que os Estados Unidos retomem sua liderança global nos direitos humanos”.

A Secretária de Estado Hillary Clinton sempre foi uma apoiadora forte da CDC, e ela agora tem controle direto sobre a submissão do tratado para o Senado para ratificação. O processo requer um voto de dois terços.

Farris disse que Barbara Boxer (D-Calif.) afirmou em reunião particular logo antes do Natal que o tratado será ratificado dentro de dois anos.

Em novembro, um grupo de quarenta personalidades da política externa pediu a Obama que fortaleça as relações dos EUA com a ONU. Entre outras coisas, eles pediram que o presidente faça pressão para que o Senado aprove tratados que foram assinados pelos EUA, mas não ratificados.

Matthew Rojansky, diretor da entidade Partnership for a Secure America (Parceria para uma América Segura), ajudou a elaborar a declaração. Ele disse que o tratado exige forte apoio e provavelmente logo haverá ações, de acordo com um relatório do Inter Press Service.

Embora ele tenha dito que é certeza que a decisão de ratificar ocorrerá, Farris disse que os que trabalham pela aprovação do tratado enfrentarão oposição ferrenha.

“Penso que vai ser a batalha mais importante da vida”, disse ele. “Não há recursos políticos suficientes em Washington, D.C. para aprovar esse tratado. Nós o derrotaremos”.

Fonte: WND

Nota importante de Julio Severo: Os grupos conservadores americanos estão preocupados porque Obama pressionará os EUA a ratificar a Convenção da ONU sobre os Direitos das Crianças (CDC). Para entender as preocupações dos americanos, basta considerar o fato de que o Brasil ratificou a CDC. Como conseqüência direta, o Brasil teve de elaborar uma legislação nacional que espelhasse a CDC. O nome da legislação que foi criada no Brasil? Estatuto da Criança e do Adolescente. Para ver mais informações, clique nos links abaixo:

O que está por trás da campanha estatal pelos direitos das crianças

Direitos das crianças: O que a ONU e o Estado fazem para controlar as famílias:

Governo Mundial: De que modo os Acordos da ONU sobre os Direitos das Mulheres e das Crianças Minam os Valores da Família, os Valores Evangélicos e a Soberania dos Países

O abuso estatal contra a ordem familiar

02 fevereiro, 2009

Educação ao contrário

Educação ao contrário

Olavo de Carvalho

Clicando no Google a palavra “Educação” seguida da expressão “direito de todos”, encontrei 671 mil referências. Só de artigos acadêmicos a respeito, 5.120. “Educação inclusiva” dá 262 mil respostas. Experimente clicar agora “Educar-se é dever de cada um”: nenhum resultado. “Educar-se é dever de todos”: nenhum resultado. “Educar-se é dever do cidadão”: nenhum resultado.

Isso basta para explicar por que os estudantes brasileiros tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais. A idéia de que educar-se seja um dever jamais parece ter ocorrido às mentes iluminadas que orientam (ou desorientam) a formação (ou deformação) das mentes das nossas crianças.

Eis também a razão pela qual, quando meus filhos me perguntavam por que tinham de ir para a escola, eu só conseguia lhes responder que se não fizessem isso eu iria para a cadeia; que, portanto, deveriam submeter-se àquele ritual absurdo por amor ao seu velho pai. Jamais consegui encontrar outra justificativa. Também lhes recomendei que só se esforçassem o bastante para tirar as notas mínimas, sem perder mais tempo com aquela bobagem. Se quisessem adquirir cultura, que estudassem em casa, sob a minha orientação. Tenho oito filhos. Nenhum deles é inculto. Mas o mais erudito de todos, não por coincidência, é aquele que freqüentou escola por menos tempo.

A idéia de que a educação é um direito é uma das mais esquisitas que já passaram pela mente humana. É só a repetição obsessiva que lhe dá alguma credibilidade. Que é um direito, afinal? É uma obrigação que alguém tem para com você. Amputado da obrigação que impõe a um terceiro, o direito não tem substância nenhuma. É como dizer que as crianças têm direito à alimentação sem que ninguém tenha a obrigação de alimentá-las. A palavra “direito” é apenas um modo eufemístico de designar a obrigação dos outros.

Os outros, no caso, são as pessoas e instituições nominalmente incumbidas de “dar” educação aos brasileiros: professores, pedagogos, ministros, intelectuais e uma multidão de burocratas. Quando essas criaturas dizem que você tem direito à educação, estão apenas enunciando uma obrigação que incumbe a elas próprias. Por que, então, fazem disso uma campanha publicitária? Por que publicam anúncios que logicamente só devem ser lidos por elas mesmas? Será que até para se convencer das suas próprias obrigações elas têm de gastar dinheiro do governo? Ou são tão preguiçosas que precisam incitar a população para que as pressione a cumprir seu dever? Cada tostão gasto em campanhas desse tipo é um absurdo e um crime.

Mais ainda, a experiência universal dos educadores genuínos prova que o sujeito ativo do processo educacional é o estudante, não o professor, o diretor da escola ou toda a burocracia estatal reunida. Ninguém pode “dar” educação a ninguém. Educação é uma conquista pessoal, e só se obtém quando o impulso para ela é sincero, vem do fundo da alma e não de uma obrigação imposta de fora. Ninguém se educa contra a sua própria vontade, no mínimo porque estudar requer concentração, e pressão de fora é o contrário da concentração. O máximo que um estudante pode receber de fora são os meios e a oportunidade de educar-se. Mas isso não servirá para nada se ele não estiver motivado a buscar conhecimento. Gritar no ouvido dele que a educação é um direito seu só o impele a cobrar tudo dos outros — do Estado, da sociedade — e nada de si mesmo.

Se há uma coisa óbvia na cultura brasileira, é o desprezo pelo conhecimento e a concomitante veneração pelos títulos e diplomas que dão acesso aos bons empregos. Isso é uma constante que vem do tempo do Império e já foi abundantemente documentada na nossa literatura. Nessas condições, campanhas publicitárias que enfatizem a educação como um direito a ser cobrado e não como uma obrigação a ser cumprida pelo próprio destinatário da campanha têm um efeito corruptor quase tão grave quanto o do tráfico de drogas. Elas incitam as pessoas a esperar que o governo lhes dê a ferramenta mágica para subir na vida sem que isto implique, da parte delas, nenhum amor aos estudos, e sim apenas o desejo do diploma.

Fonte: Diário do Comércio, 27 de janeiro de 2009

Divulgação: www.juliosevero.com

27 janeiro, 2009

Distorções e abusos do Estado voraz gerando caos às famílias

Distorções e abusos do Estado voraz gerando caos às famílias

Intrusivas políticas estatais deixam famílias fracas, confusas e vulneráveis

Julio Severo

De acordo com o jornal O Globo, cada vez mais pais aflitos recorrem à Justiça para resolver os problemas de seus filhos. “Seu juiz, trouxe o meu filho aqui porque não sei mais o que fazer” é frase ouvida com frequência nas salas de audiência. Depois de anos de doutrinação de psicólogos contrários a limites firmes e disciplina, nem psicologia nem psiquiatria estão conseguindo oferecer solução para as famílias. Pais desesperados pedem socorro a juízes até para questões mínimas de limites para os filhos. É essa a função verdadeira dos juízes?

Famílias do passado tinham autonomia e filhos delinqüentes eram raridade

No passado, qualquer família tinha autonomia, disposição e proteção para resolver seus próprios problemas. Um filho que havia cometido desobediência grave era surrado até com pedaço de pau. A desobediência morria com tanta eficácia que as gerações passadas tinham problemas, mas não de delinqüência juvenil, que era resolvida de forma enérgica. O Estado nem pensava em desafiar a autoridade e direitos dos pais na fundamental responsabilidade de criar os filhos.

Pequenos roubos e desafios eram tratados ao rigor do clássico “arreio”. Um senhor contou-me que, ao ser pego com uma revista pornográfica na adolescência, seu pai lhe deu uma surra tão forte que ele foi curado da pornografia. É desnecessário dizer que, mesmo sendo pobre, ele não se tornou delinqüente, nem precisou resolver suas frustrações em drogas, prostituição e crimes. Ele se tornou um homem trabalhador, querido e respeitado.

Enfim, os pais do passado tinham plena autonomia para corrigir os problemas de comportamento de seus filhos. Hoje, os pais não têm nenhuma autonomia. Eles têm medo.

Tente colocar seu filho para trabalhar num negócio da família — prática universal durante milhares de anos —, e agentes estatais do Conselho Tutelar lhe mandarão uma intimação desagradável. Será que trabalho para filhos é “nocivo” porque os filhos ficam sem tempo para se envolver com bebidas, drogas, farras e sexo?

Tente surrar seu filho com uma vara, impondo limites inegociáveis e rígidos. Novamente, agentes estatais, pagos com o dinheiro suado dos próprios pais, farão seu trabalho sujo de intromissão.

Por outro lado, nas escolas públicas crianças são doutrinadas acerca de seus direitos e de como denunciar seus pais se eles não se conduzirem conforme as imposições do Estado. Alunos são ensinados sobre os limites dos pais, enquanto o próprio Estado quebra todos os limites morais ao apresentar o sexo antes do casamento ou a relação homossexual como coisas normais. Ai do pai ou da mãe que discordar dessa educação imposta pelo Estado!

Diante disso, como impedir a desestruturação da família, quando o próprio Estado está envolvido na destruição da autoridade dos pais?

Os pais perderam sua autonomia necessária. Com o estrangulamento estatal dos direitos dos pais, as famílias naturais mal conseguem respirar.

Hoje, quem tem autonomia sobre as decisões da família é o Estado. Não que essa seja a sua competência, mas como está difícil acabar com a criminalidade real — o cronômetro do fracasso estatal agora marca mais de 50 mil assassinatos por ano no Brasil —, o governo prefere interferir na família, a fim de mostrar que está trabalhando. (Reconheça: não é nada fácil o Estado mostrar eficiência e trabalho com brutamontes assassinos!)

Beco sem saída para as famílias

O resultado? Famílias se desintegrando e que não sabem mais o que fazer. Elas estão num beco sem saída. Se cruzam os braços, são acusadas de negligência. Se usam o método tradicional e eficiente da vara, são acusadas de criminosas e abusadoras de crianças — sem mencionar que os psicólogos e psicanalistas ficarão furiosos, pois perderão boa parte de seus clientes. A única opção que o Estado lhes deixa é (tcham, tcham, tcham) obedecer ao Estado.

Na matéria de O Globo, um juiz desabafa: “O trabalho que fazemos aqui é muito mais social do que judicial”. A declaração é do juiz Marcius Ferreira, há um ano titular da Vara da Infância e da Juventude.

Juízes e autoridades estatais deveriam se envolver em questões de competência das famílias? Não são os pais que devem lidar com crianças e adolescentes desobedientes? Juízes e autoridades estatais deveriam lidar com jovens criminosos, não desobedientes. Criminoso, seja de que idade for, tem de ser tratado criminalmente pelos juízes — sem nenhuma impunidade. Filhos desobedientes (não criminosos) devem ser tratados pelos próprios pais.

O Globo então relata:

Preocupada com o avanço do fenômeno, a conselheira Andréa Pachá, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), disse que a família antigamente era estruturada de maneira mais vertical, e a autoridade nem sequer era discutida.

— Já as novas famílias, resultado de sucessivos divórcios e novos casamentos, são mais democráticas e já não encontraram espaço adequado para impor limite. Essa demanda acaba chegando à Justiça e gerando distorções — lamenta.

O divórcio e o recasamento, evidentemente, deixam muitas famílias sem estrutura e autoridade para impor limites e disciplina nos filhos. A situação das mães solteiras, cujos filhos são responsáveis por 70% da delinqüência e crimes juvenis, é o maior fator de problemas. Como resolver o aumento de assassinatos cometidos por adolescentes e jovens quando o governo incentiva a situação das mães solteiras?

Em vez de proteger e incentivar a família natural, o que o governo faz para dar soluções? Facilita os divórcios. Para garantir o caos social, o Estado impõe como padrão não a família natural, mas a família destruída. Documentos de identificação (como o CPF) omitem vergonhosamente o nome do pai, a fim de não ofender crianças concebidas por mãe solteiras. Assim, o Estado trata a família natural com descaso e abuso, elevando as exceções trágicas a nível de respeito e padrão.

A omissão comprada da imprensa

O pior é que a imprensa não colabora para revelar a verdade, apontar os erros e mostrar quem são os culpados reais. Quando noticiam os problemas das famílias, a imprensa omite completamente o papel do Estado como um dos grandes provocadores de problemas. Pelo contrário, o governo é apresentado como a Grande Solução. Não é para isso que a imprensa é paga?

A imprensa tem escolha, a não ser se vender? Anos atrás, o comunista José Dirceu (que, pela total ausência de arrependimento público pelos seus crimes, ainda pode ser considerado terrorista comunista) telefonou para a TV Record para “conversar” sobre o jornalista Boris Casoy, que insistia em noticiar os escândalos do governo Lula. Dirceu insinuou que a Record poderia perder o patrocínio de empresas estatais, que parariam de investir milhões em comerciais na televisão que se diz evangélica e a favor da família. Logo depois, Casoy foi despedido.

Quer persuadir um dono de TV? Ameace suspender o patrocínio milionário de anúncios comerciais! Esse tipo de negociação é infalível. E o governo faz essa chantagem usando nosso próprio dinheiro.

Genuína liberdade de imprensa indica a raiz dos problemas

Qual é então o jornalista que ousará imparcial e objetivamente apontar a verdade de que o Estado tem participação fundamental na destruição das famílias e seus valores? Resta então a um escritor como eu, que não depende de patrocínio da Petrobras ou outra gigante estatal amordaçadora, a responsabilidade de mostrar os fatos como são.

Não é a toa que o público respeite tanto alguns blogs. Onde mais encontrar genuína liberdade de imprensa?

Enquanto o jornalista vendido revela o que o Estado quer ver, o escritor livre revela ao público o que precisa ser mostrado — doa a quem doer. E quem está reclamando de dores é o próprio Estado.

Fora dos blogs, a castração estatal sobre a grande imprensa é implacável.

Como escritor livre, tenho a liberdade de dizer que os Dez Mandamentos, que são padrão legal e universal para toda a humanidade, apontam Deus e em seguida os pais como prioridade de respeito. Nem mesmo as igrejas podem ocupar esses lugares. Aliás, até mesmo as igrejas e o Estado devem respeitar o papel de Deus e dos pais na sociedade.

Estado voraz X família vulnerável

Contudo, o Estado exige estar acima tanto de Deus quanto dos pais, cobrando obediência absoluta até mesmo em áreas que não lhe pertencem. O resultado é o que todos podemos ver em toda a sociedade.

No passado, se um filho ousasse levantar a voz para o pai ou para a mãe, levava do pai um tabefe ou pior. Hoje, filhos levantam a voz, a mão e o braço para os pais, sem medo e com autoridade. E ai do pai ou mãe que ousar levantar a voz e a mão ao filho delinqüente de tanta doutrinação estatal — os abutres estatais dos conselhos tutelares estão prontos para cair em cima da vítima. Essa invasão da autonomia da família, onde o pai é proibido de exercer sua autoridade de disciplina sobre o filho desobediente, é fruto do ECA — presente do Estado.

Hoje, menores de 18 anos levantam facas e armas para matar, e realmente matam — quantos quiserem. E o que recebem de castigo? Internamento em instituições de reabilitação até os 18 anos. Essa perversão de tratamento impune a um criminoso é fruto do ECA — presente do Estado.

É de admirar então que pais e mães estejam confusos, desesperados, desorientados, frustrados, aflitos e sem saber o que fazer? É de admirar que eles estejam recorrendo a juízes para lidar com a desobediência dos filhos que no passado era facilmente resolvida por qualquer pai minimamente consciente de seus deveres e responsabilidades?

O Estado, com a cumplicidade de ONGs maritacas sugadoras de impostos, impõe políticas prejudiciais, abusivas e absurdas às famílias e depois, debaixo do nariz e do acobertamento da mídia comprada, dá meia volta e joga a culpa em tudo e em todos. Ou então a própria imprensa comprada assume o trabalho sujo de culpar a tudo e a todos. Todos são culpados, menos o Estado e a mídia liberal. Mera coincidência?

A mídia finge que cobra e critica o governo, o governo finge que cobra e critica a mídia, mas a família não precisa fingir nada, pois é ela que está sendo atingida pelo fogo real dos dois lados.

Com o Estado provocando danos, se intrometendo onde não deve e mantendo a grande imprensa amordaçada e encoleirada através de chantagens legais, políticas e financeiras, as famílias não têm autonomia, não têm direitos e não têm liberdade. Ninguém reclame, pois, do estado das famílias brasileiras e da delinqüência dos jovens. Preocupemo-nos, em vez disso, com os falsos amigos da família: o Estado, que promove leis que fazem mais mal do que bem; e a mídia liberal, que mantém seu acobertamento fiel sobre os atos anti-família do Estado.

Os falsos amigos não se traem. Não é a toa que para lançar sua campanha para destruir a autoridade dos pais para disciplinar os filhos, o governo Lula tenha escolhido Xuxa como representante da mídia comprada. Deixando de confiar neles, as famílias estarão dando um importante passo para a sua estruturação.

Fonte: www.juliosevero.com

Para ler mais neste blog:

O preço da desintegração do casamento tradicional

Quando um pai não disciplina o próprio filho

Julio Severo e Heitor De Paola rebatem defesa ao ECA em programa de televisão

O abuso estatal contra a ordem familiar

Direitos das crianças: O que a ONU e o Estado fazem para controlar as famílias:

O que está por trás da campanha estatal pelos direitos das crianças:

CRIMINOSOS PRIVILEGIADOS: Fortalecendo a impunidade em nome da reabilitação dos menores que estupram e matam

Insensatez na punição de menores

A Constituição do Crime

26 dezembro, 2008

Apesar de evidência de sucesso, tribunal condena família que educa filhos em casa

Apesar de evidência de sucesso, tribunal condena família que educa filhos em casa

Tribunal recusa examinar notas dos testes e relatórios psicológicos que provam a eficácia da educação escolar em casa

Matthew Cullinan Hoffman

MINAS GERAIS, BRASIL, 23 de dezembro de 2008 (LifeSiteNews.com) — Cleber e Bernadeth Nunes foram condenados por um segundo tribunal civil por educarem seus filhos em casa, apesar de eles terem passado em testes impostos pelo governo que os professores confessaram que eles mesmos não conseguiriam passar.

Uma turma de três juízes no tribunal de segunda instância recusou até mesmo examinar os resultados dos testes, onde os dois filhos de Cleber foram aprovados. Essa série de testes foi muito rigorosa, abrangendo várias matérias, inclusive matemática, geografia, ciência, história, português, inglês, arte e educação física.

“Não podemos permitir a análise aqui da qualidade da educação que está sendo dada em casa, pois a educação escolar em casa jamais poderá substituir a instrução normal”, disse o juiz Almeida Diniz, que fez parte da turma. Os testes foram feitos por ordem de um juiz criminal que está julgando o mesmo caso em seu próprio tribunal.

O tribunal civil também recusou receber como evidência uma avaliação que mostrava que os filhos são psicologicamente saudáveis, têm um bom relacionamento com seus pais e têm amizades fora do lar. Ambos os testes foram feitos por ordem de um tribunal criminal que está também julgando o caso dos Nunes.

Apesar de os testes nacionais mostrarem resultados horríveis do sistema brasileiro de educação pública, um dos três juízes afirmou em seu veredicto escrito que “a qualidade de nossa educação é inegável. Se compararmos, por exemplo, os cidadãos brasileiros normais com os cidadãos norte-americanos normais, a conclusão é devastadora. Os norte-americanos sabem pouco… em comparação com os brasileiros. Nosso sistema escolar é, ao contrário, muito bom em comparação com outros países”.

João Senna dos Reis, colunista do jornal Diário do Aço, fez pouco caso da declaração, observando que “uma simples verificação oficial de que 70% dos brasileiros não sabem ler e interpretar cinco linhas de texto banal representa uma confissão chocante de como está indo nosso sistema educacional”.

“Em algum ponto os magistrados tiveram de agir em má consciência antes de invocarem absurdos como vender a imagem falsa de que temos um sistema educacional no mesmo nível dos países do primeiro mundo”, acrescentou ele. “Como estamos em dezembro e todo tipo de lista de eventos notáveis começa a aparecer, não será surpresa se este tribunal for colocado na categoria da melhor piada do ano”.

Cleber Nunes disse para LifeSiteNews que ele planeja apelar o caso para o Superior Tribunal de Justiça, e se necessário ele apelará o caso para o Supremo Tribunal de Justiça.

“Penso que o tribunal não quis nem mesmo examinar o caso porque não quer mais famílias educando os filhos em casa”, disse Nunes para LifeSiteNews.

“Estava claro que os meninos estão indo bem, que não há abandono intelectual, mas as autoridades continuam defendendo sua posição, defendendo a lei e esquecendo que o foco da lei é as crianças”, disse ele.

Para ler mais sobre o caso da família Nunes em LifeSiteNews, veja:

Adolescentes que estudam em casa alcançam vitória surpresa em confronto com o governo

Casal que ensina em casa poderá ser preso se seus filhos falharem em duros testes governamentais

Confronto contra a educação escolar em casa: crianças deverão ser testadas por tribunal em batalha sobre os direitos educacionais dos pais

Governo brasileiro entra com ações criminais contra família que educa em casa e ameaça tomar os filhos

Tradução e adaptação de Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: LifeSiteNews

Para saber mais sobre a educação escolar em casa, clique aqui.

21 novembro, 2008

Família evangélica da Alemanha pede asilo político nos EUA

Família evangélica da Alemanha pede asilo político nos EUA

PURCELLVILLE, Virginia, EUA, novembro de 2008 (LifeSiteNews.com) — Uma família envolvida no homeschooling (educação escolar em casa) fugiu recentemente da Alemanha e pediu asilo político nos Estados Unidos.

Uwe e Hannelore Romeike, que viviam em Bissingen, Alemanha, junto com seus cinco filhos, conseguiram entrar nos Estados Unidos em agosto deste ano. A família se estabeleceu no Tennessee, onde foram calorosamente recebidos pelas famílias locais que também fazem parte do movimento de educação em casa. Além disso, eles estão recebendo assistência da Associação de Defesa Legal da Educação Escolar em Casa (HSLDA).

“A perseguição aos adeptos do homeschooling na Alemanha se intensificou de forma dramática”, disse Michael P. Donnelly, da HSLDA. “Eles são regularmente multados em milhares de dólares, mandados para a cadeia ou perdem a guarda dos filhos só porque escolheram educar os filhos em casa”.

Uwe Romeike, professor de música, e sua esposa Hannelore dizem que são gratos pelo apoio que estão recebendo da HSLDA e dos adeptos do homeschooling nos EUA.

“A liberdade que temos de dar a nossos filhos educação escolar em casa no Tennessee é maravilhosa. Não temos de nos preocupar com alguém nos espionando, com assistentes sociais chegando ou com quanto dinheiro temos para pagar as multas”, disse a Sra. Romeike.

“Estamos recebendo muito amor e apoio”, disse o Sr. Romeike. “Nossos filhos não mais ficam sentindo saudades da Alemanha. Eles estão muito contentes de receber educação escolar em casa aqui. Deixamos parentes, nosso lar e uma comunidade maravilhosa na Alemanha, mas o bem-estar de nossos filhos tornou isso necessário”.

“Ao apoiar um pedido de asilo político, poderemos brilhar a luz da verdade neste problema real que está ocorrendo bem em nossos dias”, disse Michael Donnelly. “Um pedido bem-sucedido abrirá o caminho de segurança para as famílias alemãs adeptas do homeschooling que estão fugindo de perseguição”.

A HSLDA, com o apoio do Fundo de Defesa Aliança, empregou o jurista de imigração Will Humble de Houston, Texas, para lidar com esse caso inédito.

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: LifeSiteNews

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19 outubro, 2008

Educação na estrada: conheça duas famílias que educaram os filhos enquanto percorriam o mundo

Educação na estrada: conheça duas famílias que educaram os filhos enquanto percorriam o mundo

Marta Reis

RIO — Nada de carteiras, quadro negro ou matérias chatas. Na família Schürmann, a Teoria da Evolução de Darwin se aprende no próprio arquipélago de Galápagos, e as lições sobre geologia e geografia acontecem sob um vulcão, na Martinica. Foi dessa maneira que a matriarca da família, Heloísa Schürmann, escolheu educar os quatro filhos: viajando. Mas sem abrir mão das lições e das provas, ela garante. Apesar de brasileira, Heloísa optou por métodos americanos para ensinar os filhos, já que nos Estados Unidos, diferentemente do Brasil, a legislação permite a educação em casa, ou o Home Schooling, como o termo é mundialmente conhecido. (Relembre o caso dos meninos mineiros, cujos pais estão sendo processados por educar os filhos em casa).

Conhecida pela vida em alto mar, os Schürmann partiram do Brasil a bordo de um veleiro em 1984, quando os filhos Pierre, David e Wilhelm tinham 15, 10 e 7 anos, respectivamente. O mais velho continuou os estudos através de um programa especial do Colégio Anglo Americano, e os menores seguiram o método sob correspondência da Calvert School, dos Estados Unidos. A quarta filha, Kat, adotada em 95 aos três anos, também foi ensinada pela mãe.

— O material era enviado em um só pacote para todo o ano escolar. As instruções eram bem detalhadas, inclusive com a carga horária indicada para cada disciplina. Todo o mês, enviávamos as lições e os trabalhos feitos pelos meninos, e a cada seis meses, eles faziam uma prova mais ampla. A leitura de livros brasileiros era importante, já que as apostilas eram em inglês - conta Heloísa, que fez licenciatura em inglês, na New York of University.

Segundo Heloísa, cada oportunidade era motivo de aprendizado:

— A matemática era ensinada através de dados concretos da navegação, o câmbio através das moedas dos países que visitávamos, o comportamento das espécies marinhas com os pescadores locais, e por aí vai. Aprendi a usar a criatividade. Se faltava algum material, buscava outro similar ou ajuda nos outros veleiros - relembra ela - Quando ficávamos muito tempo em solo, eles freqüentavam a escola daquele país - emenda.

Legislação brasileira exige que as crianças estejam matriculadas na escola

Pela legislação brasileira, a educação recebida pelos filhos de Heloisa só seria reconhecida no país, caso eles tivessem matriculados em alguma escola.(Entenda melhor como funciona a legislação nesse caso)

— As crianças com idade escolar (leia-se dos 7 aos 14 anos) precisam estar vinculadas a uma escola. Mas isso não seria um empecilho para as viagens. Várias instituições oferecem ferramentas para fazer o acompanhamento pedagógico, pela internet ou por correspondência - esclarece o conselheiro da Câmara de Educação Básica, do MEC, Francisco Aparecido Cordão.

No mar ou na terra, o enredo é parecido

Roteiro semelhante tem a vida da família dos portugueses Sofia Salgado e Mica Costa-Grande. A jornalista e o fotógrafo deixaram Portugal quando Eloi e Sáskia tinham 6 e 4 anos, e Sofia alfabetizou os filhos através de livros didáticos cedidos pela ex-escola dos meninos, sem ter feito qualquer curso de preparação.

— Fui autodidata mesmo. Seguia as lições e fazíamos os exercícios. Não foi difícil. Nos outros anos, comprei os livros que a escola mandou e os seguia. Minhas maiores preocupações eram o português e a matemática. O resto, eles aprendiam durante as viagens - conta ela, que mantinha uma rotina. - De manhã, eles completavam os exercícios, e de tarde fazíamos passeios a museus, igrejas e monumentos históricos.

Veja fotos dos Schürmann e da família de Sofia durante suas viagens pelo mundo

A jornalista educou os filhos sozinha até onde pôde. Mas, em 2006, decidiu fixar residência em São Paulo para que eles pudessem freqüentar a escola.

— Resolvemos criar uma base aqui antes de completar a volta ao mundo, pelo menos até os meninos terminarem o ensino médio. Com 10 e 12 anos, a diferença de idade entre eles começou a pesar na hora de ensinar. E a minha habilidade enquanto educadora ficou um pouco a desejar. Acho importante que eles conheçam a estrutura escolar e a concorrência - completa ela, destacando que o Home Schooling também é permitido em Portugal.

Nos Schürmann, era preciso estudar cinco horas diariamente

Para o filho do meio da família Schürmann, David, hoje com 34 anos, a adaptação à nova rotina foi rápida:

— Sabíamos que seria diferentemente e realmente foi, mas nossa mãe nos preparou para isso. Eu e meu irmão adorávamos. Imagina não precisar colocar uniforme e ficar trancado dentro de uma sala de aula o dia todo - lembra o cineasta, que deixou o barco para fazer faculdade na Nova Zelândia e nos Estados Unidos.

David destaca que a disciplina do colégio era mantida em casa:

— Não era moleza, não. Estudávamos pelo menos cinco horas por dia - Conta ele.

Fonte: O Globo

Para saber mais sobre educação escolar em casa, siga este link: http://www.escolaemcasa.blogspot.com

08 outubro, 2008

Ensino em casa na Revista Enfoque Gospel

Ensino em casa

Oziel Alves

Revista Enfoque Gospel

Nem bem os filhos chegam à idade escolar e o questionamento “Em que escola matricular as crianças?” passa a ser uma constante na vida daqueles pais que se preocupam em garantir uma educação de qualidade para os pequenos. Escola pública ou privada? Laica, Católica, Luterana, Presbiteriana, Metodista, Adventista, Batista ou apenas “cristã” sem qualquer viés denominacional?

Para a maioria dos pais, questões orçamentárias, princípios pedagógicos, orientação religiosa, capacitação dos professores e infra-estrutura são fatores determinantes na hora de escolher a instituição; porém, para outros, nada disso — nem mesmo a LDB, uma lei estabelecida pelo Governo Federal, que entre outras coisas, determina ser “dever ‘dos pais ou responsáveis’ efetuar a matrícula dos menores, a partir dos seis anos de idade, no ensino fundamental” —, parece convencê-los de que, lugar de criança é na escola. Para estes pais, a escola tradicional, seja ela qual for, não oferece um ambiente moral, condizente para com seus princípios, tampouco cumpre satisfatoriamente o papel que se propõe quanto a preparar o educando para ocupar seu espaço no mercado de trabalho e na sociedade, por isso ensiná-los em casa, longe dos bancos escolares, lhes parece a melhor opção.

A grande questão, no entanto, é que a educação domiciliar no Brasil — diferentemente de alguns países de primeiro mundo (que há décadas legalizaram o homeschooling) como os Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Nova Zelândia etc. —, não é reconhecida pelo Ministério da Educação. Aqui, todo o pai ou responsável que deixar de matricular um filho na escola pode ser processado pelo Ministério Público pelo crime de abandono intelectual, sob penas que vão da multa a perda temporária ou definitiva da guarda da(s) criança(s). Uma ameaça, que apesar do rigor, não impede que muitas famílias continuem firmes no propósito de ensinar no lar.

Esta é a situação da família Bueno, composta pelo casal de professores — Josué, 47 e Darcilia, 37 —, que tem 9 filhos e há 13 anos se dedicam integralmente a educação domiciliar. “Começamos desde que nossa primeira filha era uma nenezinha”, afirma José Bueno, que é formado em Letras e Teologia, exerceu a função de pastor por 11 anos, na cidade de Jardim (MS), mas hoje, depois de ser denunciado à Promotoria Pública pelos próprios familiares, mudou-se para o Paraguai. No entanto, continua a exercer a função de professor na rede pública em uma cidade na fronteira entre os dois países. “Decidimos educar nossos filhos em casa porque entendemos que eles são prioridade em nossa vida e merecem o nosso melhor. Eles nos foram dados por Deus e a Ele daremos conta de sua formação educacional, emocional, cultural e principalmente espiritual”. Quanto à instrução dos pequenos, Bueno é enfático “Os resultados têm sido muito superiores aos que meus alunos, na mesma idade têm alcançado na escola”.

Outro caso bastante divulgado no Brasil é o do casal Cleber Nunes, 44 e Bernadeth Nunes, 40, pais de Davi, Jônatas e Ana — recentemente entrevistados por Enfoque —, que há 2 anos e meio decidiram renunciar à grande parte das atividades profissionais que exerciam, para dedicarem mais tempo a tarefa de educar os filhos no lar. O casal, que decidiu afastar os garotos da escola no início de 2006, após concluírem a 5° e 6° série, respectivamente; na época, foi duramente criticado e, por conseguinte denunciado ao Conselho Tutelar da cidade de Timóteo (MG), que comunicou o fato ao Ministério Público.

Acusados de crime de abandono intelectual, os Nunes decidiram inscrever os dois filhos no vestibular da Faculdade de Direito de Ipatinga (MG) com a finalidade de provar que eles não estavam abandonados intelectualmente, já que a Justiça aplicou a sentença sem sequer ouvir o casal, nem as “vitimas”. E conseguiram, pois os garotos foram aprovados com excelente classificação —, 7° e 13° lugar, competindo em igualdade de condições com candidatos concluintes do ensino médio. “Em casa, nosso filhos estudam cerca de 6 horas por dia, incluindo informática, inglês e hebraico. Brincam e se sociabilizam com os amigos, como qualquer outra criança. Tenho certeza de que aqui o aproveitamento deles é bastante superior ao que vinham obtendo na escola tradicional” afirma Nunes.

Ensino tradicional no Brasil

Segundo o SAEB (Sistema de Avaliação do Ensino Básico), 74,8% dos alunos da rede privada e 97,2% dos estudantes da rede pública, estão abaixo do índice estabelecido pelo próprio Governo Federal. Este panorama refere-se apenas aos conhecimentos da Língua Portuguesa, pois na Matemática e nas Ciências a situação é um pouco pior. O IDEB (Índice Nacional da Educação Básica) mostra que a média brasileira, recentemente divulgada pelo governo, é de 4,2 numa escala de 0 a 10. No PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), aplicado em 2003 e 2006, o Brasil — entre as 57 nações avaliadas — ocupou as últimas posições em todos os critérios analisados.

O IBOPE, através do Instituto Paulo Montenegro (www.ipm.org.br), confirma que na faixa etária de 15 a 64 anos, 72% dos brasileiros podem ser considerados “analfabetos funcionais”, ou seja, conseguem ler palavras mas não conseguem entender um simples texto. “Isso tudo sem falar na exposição constante à violência, ao bullying, às drogas, e à educação sexual precoce e imprópria a que as crianças tem sido submetidas na escola desde as séries iniciais. Se os pais têm direito de tirar seu filho de um hospital e tratá-lo em casa, mesmo que isto signifique risco para sua vida, porque não podemos fazer o mesmo em se tratando da educação, já que ele está exposto a riscos que podem trazer prejuízos irreversíveis? Que contrapartida eu tenho para investir 200 dias por ano em uma instituição com a performance demonstrada pelos índices acima? Vale a pena correr estes riscos?”, questiona Nunes.

A polêmica chamou a atenção dos maiores veículos de comunicação do Brasil, dentre eles a Rede Globo, Record, Band, Rede TV, Revista Época, a Folha de São Paulo e agora a discussão deve se estabelecer, também no Congresso Nacional.

No dia 5 junho de 2008, os deputados federais, Miguel Martini (PHS/MG) e Henrique Afonso (PT/ AC) apresentaram um Projeto de Lei (3518/2008) ao Congresso Nacional, propondo o reconhecimento e a regulamentação da educação domiciliar de 1° a 8 série no país. Um projeto, que, segundo o Dep. Martini, “surgiu como uma resposta aos apelos de inúmeras famílias que nos contataram desejando dar aos filhos uma educação de qualidade desvinculada dos conceitos e valores que algumas unidades de ensino querem impor”.

Como forma de garantir ao Governo um maior controle sobre o método, o projeto propõe ainda que anualmente as crianças sejam submetidas a uma avaliação teórica para verificação do progresso educacional. As provas — aplicadas em instituições da rede pública de ensino —, serviriam como um instrumento de controle para que o Governo pudesse “renovar” ou “cancelar” a licença conforme os resultados da avaliação. Assim, se o projeto for aprovado, pais cujos filhos alcançarem a média mínima nacional poderão ter suas licenças automaticamente renovadas. Porém, aqueles cujos filhos obtiverem resultados abaixo do mínimo estabelecido devem receber uma licença temporária por mais um ano, ficando a “renovação” ou “cancelamento definitivo”, a cargo do desempenho do aluno na prova de recuperação.

Para Julio Severo, escritor, autor do blog “www.escolaemcasa.blogspot.com” e um ferrenho defensor do homeschooling desde 1991, “a proposta de avaliar os alunos não é excelente, mas diante do total controle que o Estado possui nas decisões sobre as crianças, tal opção é o que diríamos ‘melhor do que nada’. Quando o Estado domina tudo numa área, a conquista de um pouco já é uma vitória, por isso precisamos pegar o que está aí no momento, até surgirem oportunidades melhores”.

Outra ponderação é a do professor Luiz Carlos Faria da Silva — pai de Lucas, 10 e Julia, 8 — Doutor em Educação, professor da Universidade Estadual de Maringá (RS) e também adepto do ensino domiciliar, que não concorda com a formulação da lei. “Do jeito que está, a lei restringirá o ensino domiciliar apenas aos pais. E se eles quiserem contratar individualmente um professor? E se os pais quiserem formar um grupo de crianças de duas ou mais famílias para seguir um programa de estudos cujas atividades sejam coordenadas por pessoas de sua confiança?

Ao que tudo indica o debate está apenas começando, ou melhor, sendo retomado, já que há 14 anos, em 1994 um Projeto de Lei (4657/1994) semelhante a este, de autoria do ex-deputado João Teixeira (PL/MT) fora submetido a apreciação da Câmara Federal, porém arquivado no ano seguinte (1995) — já com parecer contrário — devido a não reeleição do parlamentar.

Nos próximos meses a questão que deve nortear a discussão é: “afinal, a educação domiciliar é viável no Brasil, assim como tem sido nos países de primeiro mundo?”. Para Eliane Bragança, supervisora pedagógica da Escola Cristã Jerusalém de Gravataí (RS), a resposta é não. “Acho uma idéia lindíssima para países de Primeiro Mundo. Porém, no Brasil só seria aplicável àquelas famílias com nível intelectual bastante elevado. O papel de educar é dos pais, porém ensinar é para quem teve preparo acadêmico para este fim. Onde ficam a didática, as estratégias e metodologias que a Pedagogia e as Licenciaturas estimulam e incentivam?”

No que depender do Ministério da Educação, a resposta também deve ser negativa, no entanto, a assessoria do Ministro Fernand Haddad, não quis se posicionar, alegando que “faz parte da política de Comunicação Social do MEC não comentar projetos ainda em tramitação no Congresso Nacional, já que durante as apreciações nas Comissões e em plenários, mudanças podem ser feitas ao texto original”.

O tema é novo e a discussão ainda é muito recente no Brasil. Prós e contras serão avaliados. “Sabemos que o debate será polêmico e empolgante. No entanto, o PL não será aprovado sem antes termos a certeza de que ele beneficiará a grande maioria da sociedade brasileira”, afirma Afonso. Não somos contra a escola tradicional. Ela é um instrumento muito importante na sociedade. No entanto, em nome do princípio da liberdade que norteia uma sociedade livre e democrática, como o Brasil, é imprescindível que os pais tenham a liberdade de optar por um outro regime de educação que não este imposto pelo Estado.

O exemplo da família Schurmann

Um dos grandes exemplos de que a educação longe dos bancos escolares pode dar certo é o da família Schurmann, que há décadas tem navegado ao redor do mundo à bordo de seu veleiro. Em 1984, o casal Vilfredo, 59 e Heloisa Schurmann, 60, juntamente com os filhos Pierre, David e Wilhem partiram para uma aventura que duraria 10 anos.

Wilhelm e David eram apenas crianças quando saíram do Brasil. Pierre, adolescente. Os três cresceram a bordo. Estudaram por correspondência. “Aprenderam responsabilidades e a estudar para aprender”, afirma Heloísa, que destaca: “Confesso que sai do Brasil com a alma pesada, pois estava tirando meus filhos da escola e os colocando a bordo e tomando a responsabilidade de educá-los. Ninguém havia feito isso antes aqui no Brasil. Quando chegamos a Nova Zelândia, eles fizeram testes em uma escola e estavam um ano a frente das crianças de sua idade”.

Wilhelm foi o único dos filhos que permaneceu dez anos ininterruptos a bordo. Fez as provas do ensino médio na Austrália e especializou-se em Desenho Técnico. Em 1988, Pierre se formou no segundo grau à distancia e decidiu estudar Administração de Empresas nos Estados Unidos, onde morou até 1994. Em 1991, David aproveitou uma temporada da Família na Nova Zelândia e por lá ficou, graduando-se em Cinema e Televisão. Só voltou ao Brasil em 1999, após trabalhar com audiovisual na Nova Zelândia e nos Estados Unidos. Hoje são todos felizes e tem sucesso em suas profissões.

Há ainda a quarta filha do casal, Kat que também estudou no homeschooling durante a viagem dos 5 aos 7 anos e meio, porém ao retornar ao Brasil freqüentou uma escola tradicional até completar 11 anos, quando a família saiu novamente em viagem pela Costa do país. “Sobre o Projeto de Lei, achamos que a experiência de assumir a educação dos filhos exige amor, dedicação e trabalho. Sei que o ensino domiciliar não é uma opção para todos, mas se os pais têm aptidões para ensiná-los, porque não dar-lhes a possibilidade de escolha?”, opina Heloísa.

Fonte: Revista Enfoque Gospel

Divulgação: www.juliosevero.com